Mulher, 75 anos de idade, apresenta dor torácica e epigástrica aguda há 3 horas, acompanhada de vômitos. Refere histórico de hérnia de hiato. Exame físico: REG, FC 110 bpm, PA 80 x 40 mm Hg, FR 33 irpm, T 37 °C, com fácies de dor. Eletrocardiograma: normal. Radiografia de tórax com massa e nível hidroaéreo no mediastino posterior e inferior.
A pegadinha é tratar o nível hidroaéreo retrocardíaco como simples hérnia hiatal. Dor aguda, vômitos e instabilidade sugerem volvo gástrico complicado.
Endoscopia pode diagnosticar, avaliar mucosa e descomprimir, mas o tratamento definitivo costuma ser cirúrgico.
Volvo com isquemia, necrose ou perfuração é emergência operatória e não deve ter a cirurgia retardada.
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Contexto
Dor torácica e epigástrica súbita, vômitos, choque e uma imagem com massa retrocardíaca contendo nível hidroaéreo em paciente com hérnia hiatal sugerem volvo gástrico intratorácico associado a hérnia paraesofágica. No volvo, o estômago gira sobre seu eixo, produzindo obstrução de entrada e saída, distensão e comprometimento venoso. A progressão pode causar isquemia, necrose e perfuração. A tríade clássica de Borchardt combina dor epigástrica intensa, vômitos ou ânsia sem eliminação efetiva e dificuldade de passagem de sonda nasogástrica, mas nem todos os elementos precisam estar presentes.
Após estabilização inicial, a endoscopia digestiva alta permite confirmar a obstrução, avaliar a viabilidade da mucosa e, em situações selecionadas, promover descompressão ou destorção temporária. Ela não substitui o tratamento cirúrgico definitivo quando há volvo agudo, instabilidade, isquemia, perfuração ou hérnia paraesofágica complicada. Se houver sinais claros de perfuração ou necrose, a cirurgia não deve ser retardada por endoscopia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ecocardiograma pode ser útil se houver dúvida de choque cardiogênico, mas o ECG normal e, principalmente, o nível hidroaéreo no mediastino posterior direcionam para uma emergência gastrointestinal intratorácica.
B) Correta (gabarito). A endoscopia digestiva alta é o melhor exame entre as opções após estabilização, pois visualiza a obstrução, avalia sofrimento da mucosa e pode auxiliar na descompressão. Em volvo agudo, deve ser integrada à avaliação cirúrgica urgente.
C) Incorreta. Broncoscopia examina traqueia e brônquios e não esclarece a rotação do estômago herniado nem avalia sua mucosa.
D) Incorreta. FAST pesquisa principalmente líquido livre em cavidades no contexto de trauma. Não é o exame indicado para caracterizar uma víscera oca herniada e torcida no mediastino.