Mulher, 63 anos de idade, refere secura vaginal intensa, que piorou progressivamente nos últimos anos. O desconforto tem prejudicado sua vida sexual, e não teve melhora com o uso de lubrificantes. Realizou avaliação ginecológica recente sem alterações. Refere ter usado tibolona dos 50 aos 58 anos de idade.
A pegadinha é escalar para terapia hormonal sistêmica por um sintoma local. GSM isolada e refratária a lubrificantes pede estrogênio vaginal.
Estrogênio vaginal melhora secura, dispareunia e alterações tróficas com baixa exposição sistêmica.
Laser vaginal ainda não substitui terapia hormonal local baseada em evidências.
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Contexto
Secura vaginal progressiva após a menopausa, com prejuízo sexual e falha de lubrificantes, caracteriza síndrome geniturinária da menopausa. A queda estrogênica causa afinamento do epitélio vaginal, menor vascularização, redução de colágeno e elasticidade, aumento do pH e diminuição da lubrificação, podendo gerar secura, ardor, dispareunia e sintomas urinários.
Quando hidratantes e lubrificantes não são suficientes, estrogênio vaginal em baixa dose é uma das terapias mais eficazes. Estriol vaginal atua diretamente no tecido atrófico e apresenta exposição sistêmica muito menor que terapia hormonal sistêmica. A ACOG mantém, em suas orientações atuais, o estrogênio vaginal como tratamento para atrofia ou síndrome geniturinária da menopausa. Terapias a laser ou por outras fontes de energia não têm aprovação da FDA para tratamento de sintomas menopáusicos e possuem evidência e segurança de longo prazo mais limitadas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Laser vaginal não é tratamento de primeira linha para síndrome geniturinária da menopausa e não possui a mesma base de evidências do estrogênio vaginal. Pode ainda causar queimadura, cicatriz e dor.
B) Correta (gabarito). Estriol vaginal trata diretamente a atrofia responsável pela secura e dispareunia, com baixa exposição sistêmica e alta eficácia para sintomas exclusivamente geniturinários.
C) Incorreta. Tibolona é tratamento sistêmico e expõe a paciente a efeitos sistêmicos desnecessários quando o problema é localizado e pode ser tratado por via vaginal.
D) Incorreta. Terapia estroprogestativa sistêmica pode ser indicada para sintomas vasomotores e outras situações selecionadas, mas não é a escolha para secura vaginal isolada em mulher de 63 anos sem outra indicação sistêmica.