Fraturas: princípios gerais

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 20
UNIFESP · 2026

Mulher, 78 anos de idade, é trazida ao PS com história de queda da própria altura, evoluindo com dor no quadril D e consequente incapacidade a deambulação. Antecedentes pessoais: dependente de cuidadores em casa de repouso, arritmia, demência e diabetes tipo II sem controle. Radiografias: fratura desviada instável do colo do fêmur D, sem osteoartrose.

Qual é a conduta mais adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Fratura desviada e instável do colo femoral em idoso é uma fratura intracapsular com alto risco de falha biológica após osteossíntese, especialmente por comprometimento vascular da cabeça femoral. A diretriz AAOS de fraturas do quadril em idosos, de 2021, recomenda artroplastia em vez de fixação para fraturas instáveis ou desviadas do colo femoral.

A escolha entre artroplastia total e hemiartroplastia depende do perfil funcional. Artroplastia total pode oferecer melhor função em pacientes previamente independentes, ativos, cognitivamente preservados e com expectativa de vida suficiente para se beneficiar, mas tem maior complexidade e risco de luxação. Nesta paciente de 78 anos, dependente de cuidadores, com demência e múltiplas comorbidades, a artroplastia parcial, ou hemiartroplastia, equilibra estabilidade, mobilização precoce e menor complexidade. A ausência de osteoartrose acetabular reforça que não há necessidade de substituir o acetábulo.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Parafusos canulados são usados sobretudo em fraturas não desviadas ou em pacientes jovens nos quais se deseja preservar a cabeça femoral. Em idosa com fratura desviada, aumentam os riscos de pseudoartrose, necrose avascular e reoperação.

B) Incorreta. Artroplastia total pode ser escolhida em idosos funcionalmente independentes, ativos e cognitivamente preservados. Nesta paciente frágil, dependente e com demência, o ganho funcional potencial não compensa a maior complexidade e o risco de complicações.

C) Correta (gabarito). A hemiartroplastia substitui a cabeça e o colo femoral, evita depender da consolidação de uma fratura intracapsular desviada e permite mobilização precoce com uma operação mais adequada ao baixo nível de demanda funcional.

D) Incorreta. Haste cefalomedular é método típico para fraturas extracapsulares, especialmente transtrocanterianas e subtrocanterianas. Não é a solução padrão para fratura intracapsular desviada do colo femoral.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é usar o mesmo tratamento para toda fratura proximal do fêmur. Colo femoral desviado em idoso favorece artroplastia; transtrocanteriana favorece osteossíntese.

  • Hemiartroplastia ganha força em paciente frágil, dependente ou com comprometimento cognitivo.

  • Artroplastia total é mais atraente quando o paciente era independente, ativo e tem boa expectativa funcional.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Fraturas: princípios gerais” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →