Homem, 22 anos de idade, vítima de colisão moto e auto, trazido pelo Corpo de Bombeiros ao Pronto Atendimento, apresentando trauma cranioencefálico, hemopneumotórax à D e deformidade em membro inferior direito e membro superior direito. Radiografias: fraturas fechadas da diáfise do fêmur D, do planalto tibial D, fratura-luxação bimaleolar do tornozelo D e do úmero distal D. Após estabilização clínica inicial na sala de emergência,
A pegadinha é escolher a melhor osteossíntese de cada osso sem olhar o paciente inteiro. No politrauma fisiologicamente vulnerável, primeiro vem o controle de danos.
Fixador externo temporário reduz dor, sangramento e agressão adicional às partes moles.
Osteossíntese interna definitiva precoce é adequada ao paciente estável selecionado, não deve ser aplicada automaticamente a todo politraumatizado.
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Contexto
O paciente é um politraumatizado com TCE, hemopneumotórax e múltiplas fraturas instáveis de ossos longos e articulações. Nessa fase, a decisão ortopédica deve considerar a reserva fisiológica global, e não apenas cada fratura isoladamente. O conceito de Damage Control Orthopaedics prioriza procedimentos rápidos, com pouco sangramento e menor agressão inflamatória, deixando a osteossíntese definitiva para depois da estabilização clínica.
A fixação externa temporária reduz movimento dos focos, dor, sangramento e dano adicional às partes moles. Em lesões periarticulares ou fratura-luxação, montagens transarticulares podem manter alinhamento e comprimento até que haja condições sistêmicas e locais para a reconstrução definitiva. Isso evita o fenômeno de uma grande cirurgia ortopédica precoce funcionar como um segundo insulto fisiológico em paciente ainda vulnerável.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Gesso isolado não oferece estabilização adequada para esse conjunto de fraturas instáveis, não controla bem comprimento e alinhamento e dificulta o manejo de edema, partes moles e cuidados intensivos.
B) Incorreta. Hastes, placas e parafusos constituem tratamento definitivo e podem ser apropriados depois. Realizar múltiplas osteossínteses internas prolongadas imediatamente após TCE e trauma torácico aumenta tempo cirúrgico, sangramento e carga fisiológica.
C) Incorreta. O método de Ilizarov tem indicações específicas, como reconstrução complexa, perda óssea, deformidades e algumas fraturas. Não é o método definitivo de escolha imediato para todas as lesões desse politrauma.
D) Correta (gabarito). Redução e estabilização temporária com fixadores externos materializam o controle de danos ortopédico. O objetivo é ganhar estabilidade rápida agora e converter para tratamento definitivo quando o paciente estiver fisiologicamente recuperado.