Diabetes na gestação

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Questão 57
UNIFESP · 2026

Primigesta, 38 anos de idade, 37 semanas, com diagnóstico de diabetes gestacional insulino dependente. Na última semana demonstra maior número de episódios de hipoglicemia com a mesma dose de insulina. Exame físico: AU 37 cm, dinâmica uterina ausente, colo grosso, posterior e impérvio. Ultrassonografia: circunferência abdominal no percentil 95, maior bolsão de líquido amniótico 9,0 cm e Dopplervelocimetria dentro dos padrões da normalidade.

Qual é a conduta mais adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A necessidade de insulina costuma crescer ao longo do segundo e terceiro trimestres pelo aumento de hormônios placentários diabetogênicos. A ADA Standards of Care in Diabetes 2026 reconhece que uma redução rápida e significativa da necessidade de insulina pode sinalizar insuficiência placentária, embora também ressalte que os dados são conflitantes. Portanto, esse achado não deve ser banalizado.

A paciente tem 37 semanas, diabetes gestacional dependente de insulina e episódios recorrentes de hipoglicemia com a mesma dose. Há ainda circunferência abdominal fetal no percentil 95 e maior bolsão de líquido amniótico de 9 cm, compatível com polidrâmnio pela medida do maior bolsão. Como a gestação já é termo precoce, o gabarito considera a queda inesperada da necessidade de insulina um sinal clínico suficiente para resolução, preferindo indução do parto porque não há indicação obstétrica automática de cesariana.

A evidência contemporânea merece uma ressalva: queda isolada de insulina não é critério universal que obrigue parto imediato, e pode justificar avaliação materno-fetal intensificada antes da decisão. O gabarito é mantido porque, neste caso, a banca associa o achado a possível deterioração placentária em gestação já com 37 semanas.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Diabetes, polidrâmnio e suspeita de disfunção placentária não constituem, por si, indicação de cesariana. Apresentação cefálica e Doppler normal permitem tentativa de parto vaginal.

B) Incorreta. Aguardar até 39 semanas ignora a mudança metabólica inesperada que a questão utiliza como marcador de possível disfunção placentária.

C) Correta (gabarito). A indução aos 37 semanas resolve a gestação sem impor cesariana e, na lógica da prova, evita prolongar exposição a possível insuficiência placentária sugerida pela queda da necessidade de insulina.

D) Incorreta. Perfil biofísico pode auxiliar na avaliação, mas um resultado normal representa apenas um retrato momentâneo e, no raciocínio cobrado, não justifica adiar o parto por duas semanas diante da mudança clínica materna.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é interpretar hipoglicemia recorrente no fim da gestação apenas como “dose alta”. Queda súbita da necessidade de insulina pode acompanhar insuficiência placentária.

  • ADA 2026 ressalta que essa associação existe, mas os dados são conflitantes; o achado deve gerar avaliação obstétrica, não automatismo.

  • Indicação de resolver a gestação não significa indicação automática de cesariana.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Diabetes na gestação” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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