Tromboembolismo pulmonar

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 15
USP-SP · 2019

Gestante, com seis semanas, procura pronto atendimento com queixa de dispneia aos mínimos esforços de ínicio súbito após retorno de viagem aérea há dois dias. Paciente nega febre e tosse no período. Ao exame clínico apresenta edema assimétrico em membro inferior direito. Realizado o eletrocardiograma a seguir.

Figura da questão 15 da USP-SP 2019
Figura da questão

Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é a terapêutica indicada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Gestante de 6 semanas com dispneia súbita após viagem aérea e edema unilateral de membro inferior deve ser considerada portadora de tromboembolismo venoso com provável embolia pulmonar até investigação objetiva. A gestação já é um estado pró-trombótico; imobilidade prolongada acrescenta estase venosa. O eletrocardiograma pode mostrar taquicardia sinusal ou sinais de sobrecarga de ventrículo direito, mas não confirma nem exclui embolia pulmonar.

As ESC Guidelines 2025 para doença cardiovascular e gestação recomendam, em gestante com VTE agudo sem instabilidade hemodinâmica, heparina de baixo peso molecular em dose terapêutica ajustada ao peso do início da gestação. Para enoxaparina, um esquema clássico é 1 mg/kg a cada 12 horas, totalizando 2 mg/kg/dia. A HBPM não atravessa a placenta e tem farmacocinética mais previsível que a heparina não fracionada.

Após o parto, a anticoagulação terapêutica deve ser mantida por pelo menos 6 semanas, garantindo duração total mínima de 3 meses, salvo indicação de tratamento mais prolongado.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Heparina não fracionada 5.000 UI por via subcutânea a cada 12 horas é dose profilática, insuficiente para tratar TEP agudo. HNF terapêutica exige regime ajustado, geralmente intravenoso, em cenários específicos.

B) Incorreta. Antagonistas da vitamina K atravessam a placenta e podem causar embriopatia e hemorragia fetal. Não são a escolha para VTE comum durante a gestação, embora existam exceções especializadas, como determinadas estratégias em portadoras de prótese valvar mecânica.

C) Incorreta. Anticoagulantes orais diretos, como inibidores do fator Xa, não são recomendados na gestação por insuficiência de dados de segurança fetal. Além disso, 10 mg/dia corresponde a dose profilática de alguns desses agentes, não a tratamento padrão de TEP.

D) Correta (gabarito). HBPM em dose terapêutica é a opção preferida. O total de 2 mg/kg/dia corresponde, por exemplo, à enoxaparina 1 mg/kg a cada 12 horas.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: em gestante com VTE agudo, diferencie dose profilática de dose terapêutica de heparina; 5.000 UI de HNF 12/12 h é profilaxia.

  • Gestação + TEP estável = HBPM terapêutica ajustada ao peso; DOAC não é recomendado.

  • ECG pode sugerir sobrecarga direita, mas não diagnostica TEP.

  • Tratamento deve alcançar pelo menos 6 semanas pós-parto e, no total, no mínimo 3 meses.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Tromboembolismo pulmonar” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →