Tumores hepáticos primários e metastáticos

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Questão 71
USP-SP · 2019

Mulher de 47 anos, assintomática, realizou ultrassonografia abdominal que identificou nódulo hepático de 6 cm, hiperecogênico. A tomografia computadorizada (imagem apresentada) demonstrou enchimento globuliforme da periferia do nódulo, após injeção de contraste, e seu enchimento pelo contraste no tempo portal.

Figura da questão 71 da USP-SP 2019
Figura da questão
 
Figura da questão 71 da USP-SP 2019
Figura da questão

Qual o diagnóstico?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O diagnóstico é hemangioma hepático. A ultrassonografia frequentemente mostra lesão bem delimitada e hiperecogênica, e a tomografia dinâmica demonstra sua assinatura mais importante: realce nodular ou globuliforme periférico, descontínuo, seguido de preenchimento centrípeto progressivo. Nas imagens fornecidas, o contraste aparece inicialmente em nódulos periféricos e progride para o interior da lesão na fase seguinte.

Esse comportamento reflete o enchimento lento dos espaços vasculares do hemangioma. O ponto discriminador é que o hemangioma tende a reter e acumular contraste progressivamente, enquanto muitas neoplasias malignas apresentam padrões de realce diferentes, como realce periférico em anel, hipervascularização difusa ou washout. A ACG Clinical Guideline: Focal Liver Lesions de 2024 mantém a imagem contrastada multiphasica como base da caracterização das lesões focais hepáticas e do diagnóstico de hemangioma quando o padrão é típico.

O diâmetro de 6 cm não transforma a lesão em maligna. Em um paciente assintomático com padrão radiológico clássico, o diagnóstico costuma ser feito por imagem, evitando biópsia desnecessária de uma lesão vascular.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). A combinação de nódulo hiperecogênico ao ultrassom com realce periférico globuliforme e preenchimento centrípeto progressivo é característica de hemangioma hepático.

B) Incorreta. Metástases hepáticas podem ser hipovasculares ou hipervasculares e algumas apresentam realce periférico, mas geralmente não exibem o padrão clássico de nódulos periféricos descontínuos que se preenchem progressivamente em direção ao centro. Multiplicidade e história de neoplasia primária também aumentariam essa hipótese.

C) Incorreta. A hiperplasia nodular focal costuma apresentar realce arterial intenso e relativamente homogêneo, tornando-se semelhante ao fígado nas fases seguintes. Uma cicatriz central pode aparecer e realçar tardiamente. Não é o padrão de enchimento globuliforme periférico descrito.

D) Incorreta. O carcinoma hepatocelular clássico em paciente de risco apresenta hipercaptação arterial não periférica e washout nas fases portal ou tardia, podendo haver cápsula. Aqui ocorre o oposto: preenchimento progressivo da lesão, sem contexto de hepatopatia crônica informado.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: hemangioma não é apenas uma lesão hiperecogênica. O achado que fecha a questão é realce periférico nodular descontínuo com preenchimento centrípeto progressivo.

  • FNH: realce arterial homogêneo, possível cicatriz central. HCC: realce arterial seguido de washout. Hemangioma: enche progressivamente.

  • Lesão vascular com imagem típica deve ser caracterizada por exame contrastado apropriado, e não por biópsia de rotina.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Tumores hepáticos primários e metastáticos” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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