Comunicação e relação médico-paciente

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Questão 89
USP-SP · 2019
Qual a alternativa CORRETA relacionada aos aspectos comunicacionais da relação médico-paciente?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Comunicação clínica não é mero complemento da anamnese. Ela modifica a qualidade das informações obtidas, a construção do vínculo, a compreensão do plano terapêutico, a adesão e a participação do paciente nas decisões. O eixo contemporâneo da relação médico-paciente é a decisão compartilhada, que combina evidência clínica, experiência profissional, valores e preferências do paciente.

Empatia clínica envolve três movimentos: disponibilidade para reconhecer a experiência emocional do outro, capacidade de compreender sua perspectiva e comunicação dessa compreensão. Ela não exige concordância com o paciente nem fusão emocional. Transferência e contratransferência, quando presentes, também interferem na comunicação e no vínculo; a dimensão subjetiva do adoecimento deve ser reconhecida e integrada ao raciocínio, e não tratada como uma contaminação a ser eliminada.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Habilidades de comunicação podem melhorar vínculo, precisão das informações e adesão, mas não têm como objetivo determinar autonomia unilateral do médico. O modelo adequado protege a autonomia do paciente e favorece decisão compartilhada.

B) Correta (gabarito). A alternativa descreve os componentes centrais da empatia: abertura ao contato emocional, compreensão das vivências e capacidade de transmitir ao paciente que essa experiência foi compreendida.

C) Incorreta. A descrição inicial de transferência é compatível com o conceito psicodinâmico, mas a conclusão é falsa. Justamente por influenciar expectativas, afetos, interpretações e comportamento na relação atual, a transferência interfere diretamente no processo comunicacional.

D) Incorreta. Sintomas, medos, crenças, contexto social e significado atribuído ao adoecimento podem fornecer dados clínicos relevantes. O médico deve integrá-los criticamente à avaliação, e não suprimi-los para manter uma suposta neutralidade.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: empatia não é só sentir ou entender; é comunicar ao paciente que sua perspectiva foi compreendida.

  • Boa comunicação fortalece autonomia do paciente e decisão compartilhada, não autoridade unilateral do médico.

  • Subjetividade, transferência e contexto psicossocial fazem parte da relação terapêutica e podem afetar diagnóstico, adesão e vínculo.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Comunicação e relação médico-paciente” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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