Pé diabético e úlceras vasculares

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Questão 76
USP-SP · 2019

Mulher, 66 anos, portadora de diabete melito há 12 anos, procura o hospital com quadro de úlcera plantar infectada de odor fétido, flegmão ascendente e pulsos periféricos palpáveis. Inicia antibioticoterapia.

Figura da questão 76 da USP-SP 2019
Figura da questão

Qual é a conduta complementar?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A imagem mostra úlcera plantar em pé diabético, e o enunciado acrescenta odor fétido e flegmão ascendente, achados de infecção de partes moles com disseminação local. Antibiótico é necessário, mas uma infecção profunda com tecido desvitalizado, coleção ou necrose não é resolvida apenas com antimicrobiano porque o controle de foco exige abertura, drenagem e remoção do tecido infectado.

A diretriz conjunta IWGDF/IDSA 2023 recomenda considerar cirurgia precoce em 24 a 48 horas, associada a antibióticos, nas infecções moderadas e graves do pé diabético para remover tecido infectado e necrótico. Infecção grave, gangrena extensa, suspeita de abscesso profundo, síndrome compartimental ou isquemia grave requerem avaliação cirúrgica urgente.

Pulsos periféricos palpáveis tornam uma isquemia crítica menos provável, mas não excluem doença arterial periférica no diabético. A perfusão deve ser avaliada objetivamente quando houver dúvida ou cicatrização inadequada. Neste caso, porém, o problema dominante descrito é infeccioso, sem dado que justifique revascularização imediata. A conduta complementar é desbridamento, com coleta adequada de tecido para cultura quando indicada, alívio de pressão sobre a úlcera e controle metabólico.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Enxerto femoropoplíteo é procedimento de revascularização e exige demonstração de doença arterial significativa com indicação anatômica e clínica. Pulsos palpáveis e ausência de sinais de isquemia crítica tornam essa opção inadequada como primeira medida.

B) Correta (gabarito). O desbridamento remove tecido necrótico e infectado, reduz carga bacteriana, permite drenagem e transforma a antibioticoterapia em parte de um controle de foco efetivo. Flegmão ascendente e odor fétido tornam essa necessidade particularmente importante.

C) Incorreta. Endarterectomia também é uma técnica de revascularização e não há evidência apresentada de lesão arterial que a justifique. Curativos seriados isoladamente não substituem desbridamento quando há infecção profunda ou tecido desvitalizado.

D) Incorreta. Amputação primária fica reservada a situações como membro inviável, necrose extensa sem possibilidade de salvamento, infecção não controlável por medidas conservadoras ou isquemia grave sem opção de revascularização. O enunciado não descreve esses critérios.

Bizu MedBoard
  • Pé diabético infectado com flegmão ou necrose: antibiótico sozinho não basta; pense em controle de foco com desbridamento ou drenagem.

  • IWGDF/IDSA 2023: em infecção moderada ou grave, considerar cirurgia precoce em 24 a 48 horas associada ao antibiótico.

  • Pulso palpável reduz a suspeita de isquemia crítica, mas não exclui doença arterial periférica no diabético.

  • Amputação não é sinônimo de tratamento da infecção; deve ser reservada quando o salvamento do membro não é viável ou seguro.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Pé diabético e úlceras vasculares” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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