Menino, 11 meses de idade, dá entrada no pronto-socorro com quadro de febre de 39°C, vômitos e diarreia aquosa, há 2 dias. No exame clínico, criança classificada como desidratada de algum grau, sendo indicada realizar Terapia de Reidratação Oral (TRO). Após 1 hora, a criança se encontra em regular estado geral, mantendo diversas perdas. Ao exame clínico, criança pálida, taquicárdica, sonolenta, com perfusão lentificada, tempo de enchimento capilar de 4 segundos.
Pegadinha central: o plano muda quando aparecem sinais de choque; TRO deixa de ser suficiente e a prioridade vira expansão venosa.
Enchimento capilar acima de 3 segundos, alteração do sensório e taquicardia são sinais de hipoperfusão que devem acender o alerta.
Após cada bolus, reavalie perfusão, estado mental, frequência cardíaca, diurese e sinais de sobrecarga.
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Contexto
A criança inicialmente tinha desidratação de algum grau, situação em que a terapia de reidratação oral é adequada. Porém, na reavaliação surge um novo problema: palidez, taquicardia, sonolência, perfusão lentificada e tempo de enchimento capilar de 4 segundos. Isso indica hipoperfusão circulatória e exige mudança imediata do plano de hidratação para ressuscitação com cristaloide isotônico.
A Organização Mundial da Saúde recomenda, para crianças em choque, bolus de 10 a 20 mL/kg de cristaloide isotônico, com reavaliação após a infusão e atenção a sinais de sobrecarga. O gabarito utiliza 20 mL/kg de solução salina a 0,9%, que corresponde ao limite superior recomendado e é uma conduta clássica em choque hipovolêmico pediátrico sem desnutrição grave ou cardiopatia conhecida.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Manter apenas TRO atrasa o tratamento de uma criança que passou a apresentar sinais de choque. A via oral volta a ter papel após estabilização da perfusão, conforme tolerância.
B) Correta (gabarito). Expansão com 20 mL/kg de soro fisiológico trata prioritariamente a hipovolemia e a hipoperfusão. Após o bolus, a criança deve ser reavaliada clinicamente antes de decidir nova expansão ou reposição subsequente.
C) Incorreta. Associar reposição venosa lenta à TRO não resolve a prioridade imediata, que é restaurar a perfusão com expansão isotônica. Depois da estabilização, perdas em curso e déficit remanescente devem ser repostos.
D) Incorreta. A falha em melhorar apenas com TRO não significa infecção bacteriana. Antibiótico é indicado quando há diagnóstico ou forte suspeita de etiologia bacteriana específica, não pelo simples aparecimento de hipoperfusão.