Convulsão febril e epilepsias na infância

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Questão 52
USP-SP · 2019

Menina, 3 anos de idade, está internada em enfermaria devido à pneumonia, no primeiro dia de tratamento com ceftriaxona. Tem antecedente de encefalopatia crônica não progressiva por anoxia neonatal, tendo evoluído com epilepsia, mas sem necessidade de anticonvulsivantes no último ano. Durante a internação, a criança evoluiu com quadro de febre de 39oC, cursando com crise epiléptica tônico-clônica generalizada. A paciente foi monitorizada, oferecido oxigênio e solicitada administração de midazolam e dipirona, que foram aplicadas por via intramuscular devido à perda de acesso venoso. A crise epiléptica não cessou, apesar de receber uma segunda e uma terceira dose de midazolam intramuscular. Tentada obtenção de acesso venoso periférico, sem sucesso.

A conduta neste momento é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Crise convulsiva com duração de 5 minutos ou mais deve ser tratada como estado de mal convulsivo. Nesta criança, a crise persiste apesar de doses repetidas de midazolam, portanto já houve falha da etapa benzodiazepínica e é necessário avançar para um fármaco de segunda linha. A recomendação da OMS atualizada em 2023 considera, em crianças com estado de mal estabelecido após duas doses de benzodiazepínico, opções como fosfenitoína ou fenitoína, levetiracetam, valproato ou fenobarbital, conforme disponibilidade e contexto clínico.

O segundo problema é a ausência de acesso venoso periférico. Em emergência, acesso intraósseo oferece via rápida para administração de medicamentos e fluidos e não deve ser postergado em favor de um cateter venoso central. Assim, entre as alternativas, o passo correto é obter acesso intraósseo e administrar a dose de ataque de fenitoína. Em protocolos atuais, fosfenitoína, quando disponível, costuma ser preferida à fenitoína por melhor tolerabilidade local e cardiovascular.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A via enteral por sonda nasogástrica tem absorção lenta e imprevisível para uma emergência neurológica em curso. O estado de mal exige medicamento de ação rápida por via apropriada.

B) Incorreta. Repetir benzodiazepínicos indefinidamente após falha de doses adequadas aumenta risco de depressão respiratória e atrasa a segunda linha. Após duas doses sem cessação da crise, deve-se escalar o tratamento.

C) Correta (gabarito). O acesso intraósseo é a via mais rápida quando o acesso periférico falha e permite administrar anticonvulsivante de segunda linha. A fenitoína é uma opção aceita, usualmente em dose de ataque de 20 mg/kg com monitorização cardíaca durante a infusão.

D) Incorreta. Cateter venoso central demora mais e não deve atrasar o controle da crise. Midazolam contínuo é estratégia de estágio posterior, usada em estado de mal refratário após falha de tratamento de segunda linha e com suporte intensivo de via aérea e monitorização.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: após duas doses adequadas de benzodiazepínico, pare de repetir a primeira linha e avance para anticonvulsivante de segunda linha.

  • Sem acesso venoso periférico em emergência, pense em intraósseo antes de cateter venoso central.

  • Estado de mal refratário é o cenário em que passam a entrar infusões anestésicas contínuas em UTI.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Convulsão febril e epilepsias na infância” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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