Homem, 49 anos de idade, chega ao pronto-socorro com dor precordial em aperto há 1 hora. É fumante e hipertenso. Foi realizado o eletrocardiograma a seguir na sala de emergência.

Pegadinha central: onda Q patológica é marca de necrose e pode persistir como sequela; supradesnivelamento de ST é o achado que sugere lesão aguda transmural no contexto apropriado.
Infarto posterior pode aparecer como imagem em espelho em V1 a V3: R alta, infradesnivelamento de ST e T positiva na fase aguda; derivações V7 a V9 ajudam quando há suspeita de evento posterior agudo.
ECG com cicatriz antiga não exclui nova síndrome coronariana em paciente com dor atual; a questão pediu apenas a leitura do traçado.
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Contexto
O traçado mostra ondas Q patológicas nas derivações inferiores, compatíveis com necrose miocárdica prévia, sem um padrão convincente de supradesnivelamento agudo do segmento ST que caracterize lesão transmural atual nessa topografia. A expressão clássica usada em provas é área eletricamente inativa, isto é, cicatriz de infarto prévio.
A possível extensão posterior, tradicionalmente chamada de dorsal, é sugerida pelo aumento de forças anteriores em V1 e V2, especialmente R relativamente alta, que pode funcionar como a imagem recíproca de uma onda Q posterior. Assim, o conjunto é de área inativa inferior com provável extensão posterior.
Há uma distinção importante entre interpretar o ECG e conduzir o paciente. Como ele está com dor torácica há uma hora, a presença de ondas Q antigas não exclui uma nova síndrome coronariana. Na prática, ainda seriam necessários ECG seriado, troponina e avaliação clínica. A pergunta, porém, solicita especificamente o diagnóstico eletrocardiográfico mostrado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A topografia anterior não é a extensão sugerida pelo traçado, e não há padrão de lesão aguda inferior e anterior que sustente essa descrição.
B) Incorreta. Inferior e posterior é a topografia sugerida, mas a armadilha está em chamar o achado de infarto agudo atual. O predomínio é de ondas de necrose, sem padrão de lesão aguda correspondente.
C) Correta (gabarito). As ondas Q inferiores definem área inativa de parede inferior, e as forças anteriores aumentadas nas precordiais direitas permitem suspeitar de extensão posterior ou dorsal.
D) Incorreta. A área inativa inferior está presente, mas a possível extensão é posterior, não anterior.