Câncer colorretal

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Questão 77
USP-SP · 2019

Mulher de 69 anos queixa-se de fezes afiladas e perda de peso. Refere episódios de diarreia e sangramento eventual às evacuações. Colonoscopia mostrou lesão ulcerada que ocupa 50% da luz do reto, a 4 cm da borda anal, diagnosticada por biópsia como adenocarcinoma pouco diferenciado. Estadiamento com ressonância de pelve mostra lesão restrita ao reto com linfonodos aumentados em mesorreto. Tomografia de tórax e abdome superior sem alterações.

Qual é a conduta?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Trata-se de adenocarcinoma de reto baixo, a 4 cm da borda anal, com linfonodos aumentados no mesorreto e sem metástases à distância. A presença de linfonodos regionais suspeitos define doença clinicamente N positiva e coloca o caso, em regra, no grupo de doença localmente avançada tratada com intenção curativa e estratégia multimodal. O grau pouco diferenciado também é um fator patológico desfavorável.

Para tumores do reto médio e baixo, a ressonância de pelve deve informar T, N, relação com a fáscia mesorretal, margem circunferencial ameaçada, invasão vascular extramural e linfonodos laterais. A ESMO 2025 recomenda tratamento neoadjuvante orientado por risco; quimiorradioterapia ou radioterapia pré-operatória seguem indicadas em vários tumores N positivos, enquanto terapia neoadjuvante total é particularmente usada quando há critérios de alto risco ou quando se busca preservação de órgão. O NCCN 2024 também consolidou a terapia neoadjuvante total como abordagem preferencial para muitos estádios II e III.

A questão foi construída na lógica clássica de quimioterapia associada à radioterapia antes da cirurgia, seguida de ressecção radical com excisão total do mesorreto. Isso corresponde à alternativa C. A distância de 4 cm da borda anal não obriga amputação abdominoperineal: a preservação esfincteriana depende de invasão do complexo esfincteriano, margem oncológica e resposta ao tratamento, dados não fornecidos.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Amputação abdominoperineal exclusiva ignora o benefício do tratamento neoadjuvante na doença regional e ainda presume necessidade de sacrificar o esfíncter sem informação de invasão esfincteriana.

B) Incorreta. Quimioterapia e radioterapia sem cirurgia não constituem automaticamente o tratamento definitivo de todo adenocarcinoma retal ressecável. Estratégias de preservação de órgão com vigilância intensiva podem ser discutidas apenas após resposta clínica completa e em protocolos bem estruturados; isso não é o cenário apresentado.

C) Correta (gabarito). A alternativa reproduz a sequência neoadjuvante seguida de ressecção radical, adequada para o câncer de reto baixo com doença linfonodal regional. Na prática moderna, o esquema exato pode variar entre quimiorradioterapia convencional e terapia neoadjuvante total conforme a ressonância e o perfil de risco.

D) Incorreta. Operar primeiro e deixar quimioterapia e radioterapia para depois não é a estratégia preferencial para a maioria dos tumores retais localmente avançados. O tratamento pré-operatório melhora controle local e pode facilitar ressecção com margens adequadas.

Bizu MedBoard
  • Reto baixo com N positivo e M0: pense em tratamento neoadjuvante antes da excisão total do mesorreto.

  • Distância pequena da borda anal não significa obrigatoriamente amputação abdominoperineal; o fator decisivo é possibilidade de margem oncológica com preservação esfincteriana.

  • A prova costuma cobrar a sequência clássica quimiorradioterapia antes da cirurgia; diretrizes atuais refinam essa decisão com ressonância e, em casos de maior risco, terapia neoadjuvante total.

  • Resposta clínica completa pode abrir discussão de preservação de órgão em centros experientes, mas não deve ser confundida com quimiorradioterapia exclusiva para qualquer tumor ressecável.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Câncer colorretal” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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