Mulher, 42 anos de idade, 2 partos normais, marido vasectomizado, refere que seus ciclos menstruais permanecem regulares de 30 dias, mas sua menstruação vem aumentando em duração e quantidade há 6 meses, inclusive com aparecimento de cólica (que não apresentava antes). O exame clínico geral é normal. O toque vaginal, não doloroso, identifica útero em anteversoflexão, volume e forma normais, regiões anexiais sem alterações.
Pegadinha central: adenomiose não exige útero globoso ou aumentado; o exame pode ser normal.
Mulher de 40 a 50 anos + sangramento menstrual aumentado + dismenorreia adquirida = pense primeiro em adenomiose.
Mioma submucoso também sangra, mas alteração estrutural uterina ou massa favorecem leiomioma.
Istmocele exige cicatriz de cesariana e costuma causar spotting pós-menstrual.
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Contexto
O quadro é clássico de adenomiose: mulher na faixa dos 40 anos, multípara, com sangramento menstrual progressivamente mais intenso associado a dismenorreia adquirida. A adenomiose corresponde à presença de glândulas e estroma endometriais no miométrio, acompanhada de hipertrofia e hiperplasia da musculatura uterina. Na classificação PALM-COEIN das causas de sangramento uterino anormal, integra o componente estrutural AUB-A.
O exame bimanual pode mostrar útero aumentado, globoso e doloroso, mas esses achados não são obrigatórios. Formas focais ou menos avançadas podem ocorrer com volume uterino normal. A ultrassonografia transvaginal costuma ser o primeiro exame de imagem; a ressonância magnética é útil quando a ultrassonografia é inconclusiva ou quando se deseja melhor caracterização da zona juncional.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A associação de hipermenorreia progressiva com dismenorreia secundária de início recente em mulher de 42 anos é altamente sugestiva de adenomiose. O útero normal ao toque não exclui o diagnóstico.
B) Incorreta. Miomas, especialmente submucosos, também podem causar sangramento menstrual aumentado, mas frequentemente produzem alteração do contorno, aumento uterino ou massa. A nova dismenorreia progressiva, com útero de forma e volume normais, favorece adenomiose no contexto apresentado.
C) Incorreta. Endometrite costuma ocorrer em contexto infeccioso, puerperal, pós-procedimento ou associado a doença inflamatória pélvica, com dor uterina, febre, corrimento ou sensibilidade ao exame. Nada disso aparece no caso.
D) Incorreta. Istmocele é um defeito da cicatriz de cesariana no segmento uterino inferior e costuma se associar a sangramento pós-menstrual prolongado. A paciente teve dois partos vaginais, portanto falta o antecedente anatômico necessário.