Menina, 3 anos de idade, com diagnósticos recentes de síndrome nefrótica, está na terceira semana de tratamento com prednisolona 2 mg/kg/dia. Está evoluindo com boa resposta, com redução do edema e não apresenta alterações urinárias neste momento. Sua mãe resolve procurar a UBS, devido a atraso vacinal.
Pegadinha central: corticoide sistêmico em dose imunossupressora por pelo menos 14 dias contraindica temporariamente vacinas vivas, não todas as vacinas.
Tríplice viral, varicela e febre amarela são exemplos de vacinas vivas atenuadas que exigem atenção em imunossuprimidos.
Após corticoterapia imunossupressora, memorize para prova do Ministério da Saúde: em geral, aguardar 30 dias antes de vacina viva atenuada.
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Contexto
A criança recebe prednisolona sistêmica em dose de 2 mg/kg/dia há três semanas. Em uma criança de 3 anos, essa dose costuma ultrapassar 20 mg por dia e, com duração igual ou superior a 14 dias, caracteriza corticoterapia imunossupressora para fins de vacinação. O Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação do Ministério da Saúde de 2024 considera imunossupressão relevante o uso prolongado de altas doses sistêmicas de corticoide e orienta adiar vacinas vivas atenuadas.
A tríplice viral contém vírus vivos atenuados de sarampo, caxumba e rubéola. Durante imunossupressão relevante existe risco de replicação vacinal excessiva e resposta imune inadequada. Após a interrupção de corticoterapia imunossupressora, a orientação prática do Ministério da Saúde é aguardar cerca de 30 dias antes de administrar vacina viva atenuada.
Vacinas inativadas não têm capacidade de replicação e, em geral, não são contraindicadas por esse motivo. A resposta imune pode ser menor durante imunossupressão, mas isso é diferente de uma contraindicação absoluta por segurança.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. DTP não contém agente vivo capaz de replicar-se. É composta por toxoides diftérico e tetânico associados a componentes contra coqueluche e pode ser administrada conforme avaliação do calendário.
B) Correta (gabarito). A tríplice viral é vacina viva atenuada e está contraindicada temporariamente enquanto a criança está sob corticoterapia sistêmica em dose imunossupressora.
C) Incorreta. A vacina influenza utilizada rotineiramente no PNI por via injetável é inativada. A formulação intranasal viva, quando disponível em outros contextos, teria restrição, mas não é a formulação rotineira considerada nesta questão.
D) Incorreta. A vacina contra hepatite A do calendário é inativada e não tem o risco de replicação que contraindica as vacinas vivas durante imunossupressão.