Homem, 40 anos de idade, sem doenças prévias diagnosticadas, com história de tosse produtiva há 4 dias. Refere que ontem apresentou episódio de febre, calafrios e fraqueza muscular. Nega coriza. Ao exame clínico, apresentava pressão arterial = 142 x 90 mmHg; frequência cardíaca = 90 bpm; frequência respiratória = 22 irpm; temperatura = 38oC e índice de massa corpórea = 33 kg/m2. Ausculta pulmonar com redução discreta dos murmúrios vesiculares bilaterais. Ausculta cardíaca normal. Radiografia de tórax a seguir.

Pegadinha central: febre + tosse produtiva + infiltrado radiográfico é pneumonia até que outra explicação seja mais forte.
Broncopneumonia tende a ser multifocal e peribrônquica; pneumonia lobar tende a formar consolidação mais homogênea.
Atelectasia cobra perda de volume; pneumonia cobra infiltrado sem necessidade de retração volumétrica.
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Contexto
O diagnóstico de pneumonia adquirida na comunidade exige integração entre clínica e imagem. As diretrizes ATS/IDSA de 2019, ainda referência amplamente utilizada para pneumonia comunitária em adultos, trabalham com sintomas compatíveis associados a infiltrado pulmonar. Neste caso há tosse produtiva, febre, calafrios, taquipneia leve e fraqueza, e a radiografia fornecida pela prova mostra opacidades de padrão não lobar homogêneo, interpretadas no contexto da questão como acometimento broncopneumônico.
Broncopneumonia é um padrão morfológico de infecção centrada em brônquios e bronquíolos, frequentemente com focos multifocais de consolidação em vez de uma única consolidação lobar densa. A ausência de coriza torna síndrome gripal isolada menos convincente, e não há sinais radiográficos claros de perda de volume que sustentem atelectasia como explicação principal.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O conjunto de febre, calafrios e tosse produtiva, associado às opacidades pulmonares mostradas na radiografia, é compatível com broncopneumonia.
B) Incorreta. Atelectasia costuma produzir sinais de perda de volume, como deslocamento de fissuras, elevação hemidiafragmática, aproximação de vasos ou desvio de estruturas. Além disso, isoladamente não explica tão bem síndrome febril com tosse produtiva.
C) Incorreta. Embolia pulmonar pode cursar com dispneia, dor pleurítica e taquicardia, e a radiografia pode até ser normal. Aqui, porém, o fenótipo infeccioso respiratório e o infiltrado fornecido favorecem pneumonia.
D) Incorreta. Síndrome gripal costuma incluir sintomas sistêmicos associados a manifestações de vias aéreas, como coriza, odinofagia ou tosse predominantemente seca. Quando há infiltrado pulmonar compatível com infecção do parênquima, o diagnóstico deve migrar para pneumonia.