Menino, 4 anos de idade, apresenta quadro de febre de até 38,2oC associado a cefaleia frontal de leve intensidade, mialgia e prostração, iniciado há 4 dias. Os sintomas apresentaram melhora progressiva, contudo, há 2 dias, evoluiu com hiperemia em região de face, que, desde ontem, se espalhou para o restante do corpo, conforme figura a seguir. Além do exantema apresentado, não possui outras alterações ao exame clínico.

Pegadinha central: face esbofeteada é Parvovírus B19; febre alta que some e só então aparece rash é roséola por HHV-6.
Parvovírus B19 pode precipitar crise aplástica transitória em doenças hemolíticas crônicas.
Na gestação, a complicação cobrada é anemia fetal com possibilidade de hidropisia.
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Contexto
O quadro é típico de eritema infeccioso, a quinta doença, causado pelo Parvovírus B19. Há pródromo viral leve com febre baixa, cefaleia, mialgia e prostração, seguido de melhora sistêmica e aparecimento de eritema facial intenso. A fotografia mostra o clássico aspecto de face esbofeteada. Depois, o exantema pode disseminar-se para tronco e extremidades e adquirir aspecto rendilhado.
O CDC descreve o exantema malar como manifestação característica do Parvovírus B19 em crianças. Um detalhe de prova é que o exantema costuma surgir quando a fase de maior viremia já passou; portanto, a contagiosidade geralmente é maior antes do rash. Em pacientes com hemoglobinopatias hemolíticas, o vírus pode causar crise aplástica transitória; na gestação, pode levar a anemia fetal e hidropisia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Coxsackievirus A16 está classicamente relacionado à doença mão-pé-boca, com vesículas em cavidade oral, mãos e pés. Não produz como manifestação típica a face esbofeteada seguida de exantema rendilhado.
B) Incorreta. Herpesvírus humano 6 causa exantema súbito. A pegadinha é a sequência temporal: costuma haver febre alta por alguns dias e, após a defervescência, surge exantema inicialmente no tronco.
C) Correta (gabarito). Parvovírus B19 causa eritema infeccioso, cujo sinal visual mais característico é o eritema malar em face esbofeteada, seguido de exantema corporal.
D) Incorreta. Parainfluenza, especialmente os tipos 1 e 2 e também o tipo 3, está associado a infecções respiratórias; o padrão clássico de prova é crupe, com tosse ladrante e estridor, e não este exantema.