Mulher, 19 anos de idade, queixa-se de sangramento genital intenso há um dia, acompanhado por cólica leve em hipogástrio. Apresenta atraso menstrual de 10 dias e realizou beta-HCG há 4 dias com valor de 1.250 UI/L. Ao exame clínico apresenta pouca dor na palpação do abdome, sangramento coletado em pequena quantidade ao exame especular e colo grosso posterior e impérvio ao toque, com útero levemente aumentado e anexos pouco dolorosos. O ultrassom transvaginal revela pequena quantidade de líquido livre na cavidade abdominal, com útero em posição anteversofletida, eco endometrial hiperecogenico de 13,5 mm e imagem para-ovariana de 15 x 13 mm demonstrada a seguir.


Pegadinha central: HCG isolado não determina localização. Sem saco intrauterino definido, pense em gestação de localização desconhecida até esclarecer.
Controle inicial do beta-HCG: aproximadamente 48 horas, sempre correlacionado à clínica e à ultrassonografia.
Massa anexial ou para-ovariana + líquido livre aumenta a suspeita de ectópica, mesmo com HCG relativamente baixo.
Dor intensa, instabilidade ou sinais de hemoperitônio mudam o caso de acompanhamento diagnóstico para abordagem urgente.
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Contexto
A paciente tem teste de gravidez positivo, sangramento, colo fechado, ausência de gestação intrauterina claramente identificada e uma imagem para-ovariana de 15 x 13 mm, além de pequena quantidade de líquido livre. Esse conjunto deve ser tratado como gestação de localização ainda não definitivamente estabelecida, com suspeita de gestação ectópica, até que a localização seja esclarecida.
Uma única dosagem de beta-HCG não localiza a gestação. Diretrizes como a NICE NG126 recomendam, na gestação de localização desconhecida, duas dosagens séricas de HCG com intervalo o mais próximo possível de 48 horas, usando a tendência do hormônio em conjunto com sintomas e ultrassonografia transvaginal. O valor isolado de 1.250 UI/L, medido quatro dias antes, não confirma nem exclui gestação intrauterina viável ou ectópica. A imagem anexial torna inadequado simplesmente esperar uma ou duas semanas sem reavaliação.
A curva de HCG também não deve ser interpretada mecanicamente: aumento apropriado favorece gestação evolutiva, mas não exclui ectópica; queda pode indicar gestação não evolutiva, mas a localização continua relevante até resolução. O ponto decisivo da questão é a necessidade de seguimento seriado em curto intervalo.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Não há comprovação de abortamento completo. Esperar 15 dias sem controle precoce é arriscado porque uma gestação ectópica pode evoluir e romper nesse intervalo.
B) Correta (gabarito). A presença de massa para-ovariana, ausência de gestação intrauterina demonstrada e pequeno líquido livre justificam investigação de ectópica com beta-HCG seriado, tipicamente em 48 horas, e reavaliação ultrassonográfica.
C) Incorreta. Abortamento incompleto pressupõe retenção de conteúdo ovular intrauterino, frequentemente com colo aberto ou material intracavitário compatível. Aqui o colo está impérvio e a ultrassonografia não descreve restos ovulares intrauterinos; o achado relevante é anexial.
D) Incorreta. A possibilidade de gestação muito inicial existe, mas a imagem anexial e o sangramento exigem seguimento mais estreito. Uma semana é longa demais para o primeiro controle de HCG em uma paciente com suspeita de ectópica.