Câncer de esôfago

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Questão 78
USP-SP · 2019

Homem de 53 anos em seguimento por carcinoma espinocelular de terço médio de esôfago com acometimento linfonodal regional. Após tratamento neoadjuvante, foi realizado novo estadiamento, com endoscopia e tomografia computadorizada, não visualizando a lesão. Realizou tomografia por emissão de positrons (PET/CT) que revelou linfonodo regional com captação positiva.

Qual é a conduta?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O paciente tem carcinoma espinocelular do terço médio do esôfago com acometimento linfonodal regional e recebeu tratamento neoadjuvante. O desaparecimento da lesão na endoscopia e na tomografia não comprova resposta patológica completa, porque doença microscópica pode persistir na parede esofágica e nos linfonodos. O PET/CT com linfonodo regional hipermetabólico, no contexto da questão, indica suspeita de doença regional residual.

Para câncer de esôfago localmente avançado e potencialmente ressecável, o NCI PDQ mantém a estratégia de quimiorradioterapia pré-operatória seguida de cirurgia entre as opções padrão de tratamento dos estádios II e III. Quando a neoadjuvância foi planejada como parte de tratamento trimodal e não há metástase à distância nem irressecabilidade, a etapa seguinte é esofagectomia com linfadenectomia adequada.

O PET após tratamento deve ser interpretado com cautela porque inflamação pode causar captação, mas a alternativa não oferece uma estratégia de confirmação invasiva e descreve explicitamente linfonodo regional positivo. Além disso, resposta endoscópica do tumor primário não justifica linfadenectomia isolada, já que a cirurgia oncológica precisa tratar o esôfago e as cadeias linfonodais em bloco apropriado.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Seguimento endoscópico isolado deixaria sem tratamento definitivo uma doença inicialmente linfonodal e agora com linfonodo regional metabolicamente suspeito. Ausência de tumor visível na mucosa não equivale a ausência de câncer residual.

B) Incorreta. Consolidação com mais quimioterapia e radioterapia não substitui automaticamente a cirurgia em paciente operável que recebeu neoadjuvância com intenção de ressecção. Quimiorradioterapia definitiva é uma estratégia diferente, escolhida desde o planejamento para casos selecionados.

C) Incorreta. Linfadenectomia exclusiva trata apenas a doença nodal aparente e deixa o sítio primário sob risco de doença residual microscópica. Não corresponde à ressecção oncológica padrão do esôfago.

D) Correta (gabarito). A esofagectomia com linfadenectomia completa o tratamento trimodal de doença regional potencialmente ressecável após neoadjuvância e trata simultaneamente o primário e a drenagem linfática regional.

Bizu MedBoard
  • Sumiu na endoscopia não significa resposta patológica completa; em câncer de esôfago ressecável, a cirurgia planejada continua indicada após neoadjuvância.

  • Persistência de linfonodo regional suspeito reforça a necessidade de tratamento oncológico completo, não de linfadenectomia isolada.

  • PET pós-tratamento pode ter falso positivo inflamatório, por isso deve ser integrado à estratégia oncológica e não interpretado isoladamente.

  • Quimiorradioterapia definitiva é uma alternativa em cenários selecionados, mas não é sinônimo de “consolidação” após uma neoadjuvância planejada para cirurgia.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Câncer de esôfago” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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