Menina, 1 ano e 3 meses de idade, é levada pela mãe ao pronto-socorro devido a quadro de febre de 38,8°C iniciada hoje, associado a tosse produtiva com expectoração clara, rinorreia e obstrução nasal. Refere diminuição da aceitação alimentar. Sem alterações intestinais ou urinárias. Sem outras queixas. Possui antecedente de prematuridade de 31 semanas, tendo evoluído com broncodisplasia, em seguimento regular com pneumologista e em uso apenas de profilaxia com sulfato ferroso e vitamina D. Ao exame, criança em bem estado geral, corada, hidratada, acianótica, anictérica. FR = 34 irpm; FC = 112 bpm; T = 36,4°C, com boa perfusão periférica. Exame pulmonar com expansibilidade simétrica, presença de roncos de transmissão esparsos, sem outros ruídos adventícios, sem sinais de desconforto respiratório. Oroscopia com discreta hiperemia em palato. Otoscopia sem alterações. Sem outras alterações ao exame clínico.
Pegadinha central: palivizumabe previne VSR; oseltamivir trata influenza.
Em menores de 2 anos e em portadores de pneumopatia crônica, a síndrome gripal merece limiar baixo para antiviral.
Ausência de foco bacteriano no exame não justifica antibiótico apenas pela presença de febre.
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Contexto
A criança tem síndrome gripal de início agudo, sem foco bacteriano evidente e sem sinais de insuficiência respiratória, mas pertence a grupo de risco para complicações: tem menos de 2 anos e antecedente de doença pulmonar crônica da prematuridade. O Ministério da Saúde, em orientações vigentes para influenza, recomenda tratamento antiviral nos casos suspeitos de influenza em pacientes com fatores de risco, preferencialmente nas primeiras 48 horas, sem necessidade de aguardar confirmação laboratorial quando a suspeita clínica é suficiente.
O dado que fecha a questão não é a gravidade do exame naquele momento, e sim o risco de complicação. Oseltamivir é tratamento de influenza. Palivizumabe, por outro lado, é imunoprofilaxia contra vírus sincicial respiratório em grupos pediátricos selecionados e não trata uma infecção respiratória já instalada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Amoxicilina seria apropriada para infecção bacteriana definida, como pneumonia bacteriana comunitária ou otite média em cenários compatíveis. Aqui não há foco bacteriano, estertores localizados, otoscopia alterada ou sinais clínicos de pneumonia.
B) Incorreta. Palivizumabe é anticorpo monoclonal usado para profilaxia de infecção grave por vírus sincicial respiratório em crianças de alto risco durante a sazonalidade. Não é medicamento de tratamento para síndrome gripal aguda.
C) Incorreta. Ceftriaxona é antibiótico parenteral para infecções bacterianas selecionadas e não deve ser empregada empiricamente apenas por febre e sintomas de vias aéreas superiores em criança estável.
D) Correta (gabarito). Oseltamivir é o antiviral indicado para influenza suspeita em criança de risco. O benefício é maior quando iniciado precocemente, mas pacientes de alto risco podem ter indicação mesmo quando a apresentação ultrapassa a janela ideal.