Mulher, 25 anos de idade, comparece ao ambulatório de clínica médica geral encaminhada da unidade básica de saúde, pois desde os 15 anos de idade tem sinusites de repetição (aproximadamente quatro no último ano) e uma internação por pneumonia. Apresentou também diversos episódios de diarreia sempre com exames coproparasitológicos positivos para Giárdia. Traz consigo tomografia computadorizada de tórax que demonstra bronquiectasias.
Pegadinha central: sinopulmonares recorrentes + bronquiectasias + Giardia = pense em deficiência de anticorpos.
Rastreio inicial: IgG, IgA e IgM quantitativas; depois, quando necessário, resposta a vacinas e imunofenotipagem.
Antes de fechar imunodeficiência comum variável, excluir causas secundárias de hipogamaglobulinemia.
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Contexto
Infecções bacterianas sinopulmonares recorrentes desde a adolescência, evolução para bronquiectasias e giardíase repetida formam um padrão clássico de deficiência predominantemente humoral. Em adulto jovem, uma hipótese importante é imunodeficiência comum variável. A falta de anticorpos facilita infecções por bactérias encapsuladas nas vias respiratórias, enquanto a deficiência de IgA e outras alterações da resposta humoral favorecem infecção gastrointestinal por Giardia.
Os critérios utilizados pela European Society for Immunodeficiencies, ESID, e documentos de consenso para imunodeficiência comum variável partem de redução significativa de imunoglobulinas, especialmente IgG associada a redução de IgA, com ou sem IgM baixa, além de resposta vacinal inadequada e exclusão de causas secundárias. Por isso, o exame inicial mais direto diante do padrão clínico da questão é a dosagem quantitativa de IgG, IgA e IgM. A investigação pode ser complementada por resposta a vacinas e imunofenotipagem conforme os resultados.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Dosar imunoglobulinas é pertinente, mas a alternativa direciona o raciocínio para deficiência de CD4. Defeitos predominantemente celulares costumam produzir maior predisposição a infecções oportunistas, virais, fúngicas e por micobactérias, e não explicam tão bem o padrão sinopulmonar bacteriano com giardíase.
B) Incorreta. A imunofenotipagem de T, B e NK pode fazer parte de uma investigação ampliada, mas não é o exame inicial que melhor responde ao fenótipo apresentado. A pista clínica dominante aponta para falha de anticorpos.
C) Incorreta. Defeitos de fagócitos costumam causar abscessos profundos, infecções bacterianas e fúngicas invasivas e susceptibilidade a determinados patógenos, especialmente catalase-positivos. Dosar células NK não investiga adequadamente esse mecanismo.
D) Correta (gabarito). O conjunto de sinusites e pneumonias de repetição, bronquiectasias e giardíase aponta para imunodeficiência humoral, cujo rastreio inicial inclui dosagem sérica de imunoglobulinas.