Mulher, 44 anos de idade, vem ao ambulatório de clínica "para cuidar da saúde". Refere ser tabagista há 20 anos, fumando cerca de um maço por dia, reconhecendo o hábito como prejudicial a sua saúde. Já diminuiu seu consumo para 10 cigarros por dia. Sente-se muito nervosa nesses últimos meses e crê que o cigarro ajuda a aliviar sua tensão. Refere que fuma o primeiro cigarro logo ao acordar e que este é o que lhe confere maior prazer no dia. Fica muito ansiosa quando está em locais em que o fumo é proíbido; mas, quando está doente, consegue ficar sem fumar. Nega antecedentes pessoais ou familiares relevantes. Nega uso de medicações domiciliares. O exame clínico está normal. Traz os seguintes exames solicitados em consulta prévia: hemograma - Hb = 12, 8 mg/dl; Ht = 40,1%; leucócitos = 5.613 /mm3 (diferencial normal); plaquetas = 262 mil/mm3; ureia = 32 mg/dl; creatinina - 0,96 mg/dl; K= 4,5 mEq/dl; Na = 138 mEq/dl; CEA =3,2U/ml (referência: < 5U/mL) CA-125: 42U/ml (referência: < 35U/ml).
Pegadinha central: reconhecer que fumar faz mal não basta para ser ação; o que muda o estágio aqui é já ter adotado uma conduta concreta de redução.
Não confunda estágio motivacional com grau de dependência. Cigarro ao acordar e maior prazer no primeiro cigarro são pistas de dependência nicotínica.
Manutenção é consolidação da mudança e prevenção de recaída, não apenas vontade de parar.
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Contexto
O modelo transteórico de Prochaska e DiClemente organiza a mudança comportamental em estágios. No PCDT do Tabagismo do Ministério da Saúde, a lógica central é diferenciar quem ainda não pretende mudar, quem reconhece o problema mas permanece ambivalente e quem já tomou uma atitude concreta em direção à cessação.
A paciente não apenas reconheceu que fumar faz mal. Ela reduziu ativamente o consumo de cerca de 20 para 10 cigarros por dia, demonstrando mudança comportamental já em curso. Os dados de fumar logo ao acordar, considerar o primeiro cigarro o mais prazeroso e ficar ansiosa em locais onde não pode fumar apontam para dependência nicotínica, mas não definem o estágio motivacional.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Pré-contemplação seria o cenário em que a pessoa não pretende mudar e não fez movimento concreto para modificar o comportamento. Aqui há reconhecimento do dano e redução ativa do consumo.
B) Incorreta. Na contemplação existe intenção e ambivalência, porém ainda sem a mudança comportamental que já ocorreu nesta paciente.
C) Incorreta. Manutenção pressupõe mudança sustentada e foco em prevenir recaídas. A paciente ainda está em fase recente de modificação do hábito e continua fumando diariamente.
D) Correta (gabarito). A redução intencional do número de cigarros é uma ação concreta de mudança, compatível com o estágio de ação no modelo cobrado pela banca.