Maria, 56 anos, foi mordida na perna pelo cachorro da vizinha. No momento do acidente, a paciente realizou limpeza com água e sabão e manteve suas atividades domésticas. Cerca de 9 horas após o acidente, foi à Unidade Básica de Saúde (UBS) onde foi atendida pela enfermeira. A enfermeira coletou a informação de que o cachorro era conhecido e habitava a casa da vizinha, avaliou tratar-se de ferimento superficial, sem sangramento, constituído por pontos perfurantes correspondentes a mordedura.
Pegadinha central: em cão ou gato saudável e observável, a possibilidade de observar por 10 dias pesa mais que saber apenas se a vacina do animal está em dia.
Lavar vigorosamente com água e sabão é medida imediata em qualquer exposição.
Se o animal adoecer, morrer ou desaparecer durante a observação, a profilaxia deve ser reavaliada sem demora.
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Contexto
A profilaxia pós-exposição da raiva depende de três elementos: tipo de exposição, espécie e condição do animal agressor, e possibilidade de observá-lo. O Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação do Ministério da Saúde, edição revisada de 2024, mantém que cão ou gato sem sinais sugestivos de raiva e passível de observação deve ser observado por 10 dias. Se permanecer vivo e saudável até o décimo dia, encerra-se o caso sem profilaxia específica.
No caso, o cão é conhecido, domiciliado e observável. O ferimento está em membro, é descrito como superficial e sem sangramento. A limpeza imediata com água e sabão foi adequada. Mesmo nos fluxos atuais, a observação clínica do cão é decisiva quando o animal está saudável e pode ser acompanhado. Se adoecer, desaparecer ou morrer durante o período, a conduta deve ser reavaliada imediatamente e pode haver indicação de vacina e imunobiológico conforme a exposição.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Não há indicação automática de iniciar vacina quando o agressor é cão saudável e passível de observação por 10 dias.
B) Correta (gabarito). A conduta é manter o cão em observação por 10 dias, orientar retorno se houver alteração no animal e manter os cuidados locais da ferida.
C) Incorreta. Vacina associada a soro ou imunoglobulina é reservada a cenários de maior risco definidos pelo protocolo, especialmente quando o animal não pode ser observado, apresenta sinais sugestivos ou a espécie e a exposição exigem profilaxia imediata.
D) Incorreta. A situação vacinal do cão não é o único critério para decidir profilaxia humana. Um cão não vacinado, mas saudável e observável, ainda pode ser acompanhado pelos 10 dias previstos.