Menina, 7 anos de idade, previamente hígida, apresenta quadro de febre há 1 dia de até 39,5°C, mal-estar e hipoatividade. Foi admitida no Pronto-Socorro letárgica, sendo levada à sala de emergência. Na avaliação primária, estava febril, sonolenta, porém responsiva ao chamado, hidratada. Apresentava extremidades frias, pulsos finos e tempo de enchimento capilar de 6 segundos. Ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações, abdome indolor, sem visceromegalias. Abaixo os dados de monitorização do paciente.

Pegadinha central: frequência perto de 200 bpm não significa automaticamente TSV. Leia o ritmo junto do contexto: febre, perfusão ruim e hipotensão apontam para taquicardia sinusal de choque.
Hipotensão dos 1 aos 10 anos: PAS menor que 70 + 2 x idade. Aos 7 anos, o corte é 84 mmHg.
Choque séptico pediátrico: antibiótico idealmente em até 1 hora e cristaloide em bolus de 10 a 20 mL/kg, sempre com reavaliação após cada bolus.
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Contexto
A menina apresenta choque séptico com fenótipo de choque frio: febre alta, alteração do nível de consciência, extremidades frias, pulsos finos e enchimento capilar de 6 segundos. Aos 7 anos, a regra prática do PALS considera hipotensão uma pressão sistólica abaixo de 70 + 2 x idade, portanto abaixo de 84 mmHg; a pressão de 80/40 mmHg já é hipotensiva para a idade.
A taquicardia de aproximadamente 187 a 196 bpm no monitor e no traçado é estreita e ocorre em contexto de febre e hipoperfusão. O número isolado da frequência não transforma o ritmo em taquicardia supraventricular. Na TSV espera-se tipicamente ritmo muito fixo, início abrupto e ondas P ausentes ou anormais; aqui o conjunto clínico aponta para taquicardia sinusal compensatória.
A Surviving Sepsis Campaign pediátrica 2026 recomenda antimicrobiano o mais cedo possível no choque séptico, idealmente em até 1 hora, e bolus de cristaloide de 10 a 20 mL/kg com reavaliação após cada bolus. Em sistemas com terapia intensiva disponível, podem ser administrados até 40 a 60 mL/kg na primeira hora se o choque persistir e não surgirem sinais de sobrecarga. Cristaloides balanceados são preferidos quando disponíveis.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Cardioversão sincronizada é tratamento de taquiarritmia instável, não de taquicardia sinusal causada por choque séptico. Cardioversão não corrige vasodilatação, hipovolemia relativa nem infecção.
B) Correta (gabarito). Ceftriaxona fornece cobertura empírica inicial apropriada para sepse bacteriana comunitária em muitas situações pediátricas, enquanto a expansão com cristaloide trata a hipoperfusão. O ponto decisivo é que a paciente já apresenta choque e precisa de antibiótico e ressuscitação circulatória imediatos.
C) Incorreta. Manobra vagal e adenosina são usadas para TSV regular de QRS estreito em paciente estável ou enquanto se prepara cardioversão se houver instabilidade. Não tratam taquicardia sinusal secundária a sepse.
D) Incorreta. Antitérmico pode reduzir desconforto e parte da taquicardia associada à febre, mas não pode atrasar antibiótico e ressuscitação em uma criança com enchimento capilar de 6 segundos, pulsos finos, alteração do sensório e hipotensão.