Recém-nascido de termo, masculino, adequado para a idade gestacional, de 39 1/7 semanas, com peso de 4100g e estatura de 52 cm, nascido de parto vaginal, e mãe primigesta de 22 anos. Ao primeiro exame físico, sem anormalidades significativas, exceto por reflexo de moro assimétrico à direita, com membro superior direito com menos força, voltado medialmente, estendido e pronado.
Pegadinha central: braço aduzido, rodado internamente, cotovelo estendido e antebraço pronado = Erb-Duchenne, C5-C6.
Klumpke envolve predominantemente C8-T1 e compromete mais mão e punho; síndrome de Horner sugere lesão inferior grave com possível avulsão.
Se a recuperação estiver incompleta com 1 mês, encaminhe cedo a equipe especializada em plexo braquial.
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Contexto
A postura descrita é clássica de paralisia obstétrica de Erb-Duchenne, lesão predominante das raízes C5-C6 do plexo braquial. O membro fica em adução e rotação interna do ombro, extensão do cotovelo e pronação do antebraço, a chamada posição de gorjeta de garçom. O reflexo de Moro é assimétrico porque o braço afetado não realiza abdução e flexão adequadas.
A Canadian Paediatric Society, em declaração de 2021 sobre paralisia neonatal do plexo braquial, recomenda exame musculoesquelético e neurológico seriado, avaliação de fratura de clavícula ou úmero quando houver suspeita e acompanhamento por equipe com fisioterapia ou terapia ocupacional. Fisioterapia motora e mobilização passiva cuidadosa ajudam a preservar amplitude articular e prevenir contraturas enquanto se observa recuperação neural.
O prognóstico depende da extensão da lesão. Neuropraxias podem recuperar em semanas. Recuperação incompleta aos 1 mês, especialmente ausência de flexão ou extensão ativa do cotovelo, indica encaminhamento imediato a equipe multidisciplinar especializada; ausência de recuperação do bíceps nos meses seguintes pode levar à avaliação cirúrgica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ultrassonografia transfontanela investiga sistema nervoso central e não é o exame principal para uma paresia periférica com postura típica de plexopatia braquial. Neuroimagem cerebral seria considerada se o exame sugerisse lesão central.
B) Incorreta. A observação faz parte do seguimento, mas observar sem terapia motora e sem avaliação seriada favorece rigidez e contraturas e pode atrasar reconhecimento de uma lesão mais grave.
C) Incorreta. Imobilização é apropriada se houver fratura dolorosa associada, não para a paralisia de Erb isolada. Imobilizar prolongadamente um membro paretico aumenta risco de perda de amplitude.
D) Correta (gabarito). Fisioterapia motora precoce, com orientação de posicionamento e movimentos passivos seguros, é o manejo conservador inicial para preservar função enquanto se acompanha a recuperação do plexo.