Homem, 19 anos de idade, com antecedente de queda da motocicleta há 70 dias com múltiplas fraturas de costelas à direita, contusão pulmonar, hemopneumotórax e trauma craniano grave. Tratado, na ocasião, com drenagem torácica à direita e ventilação mecânica por 17 dias. Recebeu alta hospitalar após 28 dias de internação em bom estado geral. Retorna ao serviço de emergência com queixa de dispneia de instalação progressiva associada a cornagem. Ao exame clínico, saturação de 94% frequência respiratória de 24 ipm, tiragem de fúrcula.
A pegadinha é chamar de asma: estridor ou cornagem semanas após intubação prolongada é estenose traqueal até prova em contrário.
Broncodilatador não resolve obstrução fixa de via aérea central.
As medidas clínicas da alternativa B são ponte; o tratamento definitivo costuma exigir avaliação endoscópica e intervenção sobre a estenose.
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Contexto
Dispneia progressiva com cornagem cerca de 6 semanas após uma intubação prolongada é uma apresentação clássica de estenose traqueal pós-intubação. A pressão do cuff pode causar isquemia da mucosa, ulceração, lesão cartilaginosa e, durante a cicatrização, fibrose concêntrica. Os sintomas surgem tipicamente depois que o lúmen já reduziu de forma relevante, por isso muitos pacientes são inicialmente tratados como asma sem resposta.
Cornagem e tiragem de fúrcula significam obstrução de via aérea central. O tratamento definitivo depende do comprimento, localização e complexidade da estenose e pode envolver broncoscopia rígida com dilatação, incisões endoscópicas, stent em casos selecionados ou ressecção traqueal com anastomose. Na fase aguda, o objetivo é manter oxigenação e ventilação sem traumatizar ainda mais o segmento estreitado.
Dentro das alternativas da questão, corticoide intravenoso, adrenalina inalatória e suporte não invasivo funcionam como medidas temporizadoras no paciente ainda consciente e com saturação preservada. Elas não desfazem uma estenose fibrosa madura; se houver piora, deve-se mobilizar imediatamente equipe experiente em via aérea, broncoscopia intervencionista e cirurgia. Intubação orotraqueal forçada pode não ultrapassar a estenose e pode agravar edema ou produzir lesão adicional.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O diagnóstico proposto está correto, mas intubação orotraqueal não é a melhor primeira opção em uma estenose traqueal fixa ainda compensada. A passagem do tubo pode ser difícil ou traumática e deve ser planejada por equipe especializada se se tornar necessária.
B) Correta (gabarito). O quadro é de estenose traqueal pós-intubação e, entre as opções, esta oferece suporte temporizador sem instrumentação imediata de uma via aérea estreitada. Corticoide e adrenalina podem reduzir componente edematoso associado, e a ventilação não invasiva pode ganhar tempo enquanto se organiza tratamento definitivo.
C) Incorreta. O antecedente e o intervalo temporal favorecem estenose traqueal, não uma estenose laríngea isolada. Cricotireoidostomia é procedimento de resgate e não é a intervenção de rotina em um paciente ainda estável.
D) Incorreta. Além de localizar a obstrução na laringe sem apoio no caso, broncodilatadores atuam em broncoespasmo de pequenas vias aéreas e não corrigem uma estenose cicatricial da traqueia.