Sra AS, secundigesta com 32 semanas de gravidez, com 1 parto vaginal há 3 anos, vem ao pronto atendimento com queixa de corrimento de odor fétido há 6 dias, inicialmente em pequena quantidade, hoje chegou a molhar a roupa. Ao exame clínico, bom estado geral afebril, FC114, PA 10x7, altura uterina 27 cm, BCF 162, dinâmica uterina 3 contrações fracas em 10 minutos. Forro vaginal úmido. Aspecto de forro vaginal e de exame especular abaixo. Colo médio, 2cm de dilatação.

Pegadinha: ausência de febre não exclui infecção intra-amniótica quando o restante do quadro é fortemente sugestivo.
Rotura de membranas mais infecção significa não prolongar a gestação e não fazer tocólise.
Corioamnionite ou infecção intra-amniótica não é, isoladamente, indicação de cesariana; prefira parto vaginal se não houver contraindicação obstétrica.
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Contexto
A fotografia mostra forro persistentemente molhado e, ao exame especular, grande quantidade de líquido amarelo-esverdeado saindo pelo colo. Somados à história de perda líquida progressiva, esses achados sustentam rotura prematura pré-termo de membranas com 32 semanas. O odor fétido, a frequência cardíaca materna de 114 bpm, a frequência cardíaca fetal de 162 bpm e a atividade uterina com colo de 2 cm elevam fortemente a suspeita de infecção intra-amniótica.
A atualização clínica do ACOG de 2024 é particularmente relevante aqui: embora febre materna permaneça um critério frequente, a suspeita de infecção intra-amniótica também pode ser estabelecida na ausência de febre quando outros sinais e sintomas associados estão presentes, como secreção purulenta ou fétida, taquicardia fetal e quadro clínico compatível. Diante de infecção intra-amniótica em gestação viável, a conduta é antibioticoterapia sistêmica e progressão para o parto, sem tocólise. A infecção por si só não indica cesariana; a via de parto segue as indicações obstétricas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Tocolisar uma paciente com forte suspeita de infecção intra-amniótica prolongaria a exposição materna e fetal a um foco infeccioso. Infecção é contraindicação à estratégia de prolongamento da gestação.
B) Correta (gabarito). A presença de rotura de membranas associada a sinais de infecção exige resolução obstétrica. Como não existe indicação de cesariana no enunciado, a indução ou condução do parto vaginal é a estratégia apropriada, acompanhada de antibiótico sistêmico.
C) Incorreta. Cerclagem não deve ser realizada na presença de rotura de membranas, contrações ou suspeita de infecção. Seu objetivo é prevenção em insuficiência cervical selecionada, não tratamento de parto prematuro infeccioso.
D) Incorreta. Antimicrobiano vaginal seria insuficiente para provável infecção intra-amniótica. O tratamento deve ser sistêmico e, neste contexto, acompanhado de resolução da gestação.