Fraturas: princípios gerais

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Questão 77
USP-SP · 2020

Homem, 23 anos de idade, vítima de queda de motocicleta há 2 horas. Sem outras alterações ao exame físico, exceto a fratura isolada de fêmur direito. Sem lesões vasculonervosas ou de partes moles (figura a seguir).

Figura da questão 77 da USP-SP 2020
Figura da questão

Qual é o melhor tratamento?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A radiografia mostra uma fratura diafisária do fêmur, desviada e cominutiva, com fragmento em cunha, em adulto jovem após trauma de alta energia. O caso ainda informa os elementos que afastam a necessidade de uma estratégia temporária de controle de danos: não há instabilidade hemodinâmica, lesão vascular, déficit neurológico nem comprometimento importante de partes moles. Nessa situação, o tratamento definitivo preferencial é a haste intramedular bloqueada.

A haste funciona como implante de compartilhamento de carga, posicionada próxima ao eixo mecânico do osso. Em fraturas diafisárias, isso oferece alta estabilidade relativa, preserva melhor a biologia periosteal do foco quando realizada de modo fechado e permite mobilização precoce. A via anterógrada, pelo fêmur proximal, é uma opção padrão para grande parte das fraturas da diáfise femoral; a via retrógrada é útil em situações específicas, como algumas fraturas mais distais, lesões ipsilaterais ou necessidades relacionadas ao acesso cirúrgico.

Fixador externo é excelente ferramenta de controle de danos, mas a indicação típica é outra: politrauma fisiologicamente instável, fratura exposta grave com grande dano de partes moles, necessidade de acesso vascular ou impossibilidade de fixação definitiva imediata. Placas também podem ser usadas em padrões selecionados, mas não são a primeira escolha para a fratura diafisária típica do adulto jovem mostrada na imagem.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Um fixador externo transarticular de joelho acrescentaria rigidez desnecessária à articulação e é mais adequado como medida temporária em controle de danos ou em lesões graves de partes moles. O paciente está estável e tem fratura isolada fechada, portanto pode receber fixação definitiva.

B) Incorreta. Endoprótese de fêmur é reservada a cenários como ressecções tumorais, perdas ósseas extensas ou determinadas fraturas em pacientes nos quais a reconstrução convencional não é viável. Não há indicação para substituir o segmento femoral de um jovem com diáfise fraturada e osso preservável.

C) Correta (gabarito). A haste intramedular anterógrada é o tratamento definitivo de escolha para a fratura diafisária femoral isolada no adulto estável, oferecendo alinhamento, estabilidade e boa preservação biológica do foco de fratura.

D) Incorreta. Placas podem ser necessárias em situações anatômicas ou técnicas específicas, mas, para o padrão diafisário mostrado, a haste intramedular é preferida por ficar no eixo do osso e funcionar como implante de compartilhamento de carga.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: fratura de alta energia não significa automaticamente fixador externo. Se o paciente está estável e as partes moles permitem, faça fixação definitiva.

  • Diáfise femoral no adulto: pense primeiro em haste intramedular bloqueada.

  • Fixador externo lembra politrauma instável, fratura exposta grave ou ponte temporária para controle de danos.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Fraturas: princípios gerais” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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