Lactente masculino, 2 meses de idade, é levado ao Pronto-Socorro por tosse produtiva há 10 dias. Teve febre de 37,8°C no início do quadro. Há 2 dias com piora da tosse, apresentando episódios de cianose após tosse e pausa respiratória. Na casa moram 4 pessoas, a mãe, o pai e um irmão de 2 anos de idade, este sem comorbidades e sem nenhuma vacinação prévia.
Pegadinha central: vacinação não substitui quimioprofilaxia pós-exposição em contato prioritário de coqueluche.
Apneia e cianose em lactente pequeno podem ser mais características do que o guincho clássico.
Ministério da Saúde 2025: azitromicina é primeira escolha para tratamento e profilaxia, e a profilaxia deve começar o mais cedo possível, sem esperar teste positivo.
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Contexto
Lactente de 2 meses com tosse há cerca de 10 dias, piora para paroxismos, cianose pós-tosse e apneia tem quadro altamente sugestivo de coqueluche. Em lactentes pequenos, o guincho inspiratório pode faltar, e apneia ou cianose podem ser a manifestação mais importante. O risco de complicações e morte é maior justamente abaixo de 1 ano, sobretudo nos primeiros meses.
A questão pergunta pela conduta imediata para o irmão de 2 anos, não vacinado e residente no mesmo domicílio. A Nota Técnica Conjunta nº 165/2025 do Ministério da Saúde recomenda quimioprofilaxia pós-exposição para contatos próximos prioritários, incluindo contatos domiciliares que convivem com pessoa vulnerável, independentemente da situação vacinal. O lactente de 2 meses é vulnerável, portanto o irmão deve receber quimioprofilaxia sem aguardar sintomas ou exame laboratorial.
Azitromicina é a primeira escolha, e o esquema de profilaxia é o mesmo do tratamento. Para crianças de 6 meses a menores de 12 anos, o Ministério da Saúde recomenda 10 mg/kg em dose única no primeiro dia e 5 mg/kg/dia do segundo ao quinto dia. Como o irmão tem 2 anos, esse é o regime aplicável. A vacinação de resgate continua necessária, mas não produz proteção imediata suficiente para substituir o antibiótico diante da exposição atual.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Atualizar a vacinação é necessário, mas não é o bloqueio capaz de controlar sozinho uma exposição domiciliar já ocorrida. O contato prioritário precisa de quimioprofilaxia com macrolídeo.
B) Incorreta. Não se espera resultado de cultura ou PCR para decidir a profilaxia de um contato elegível. A estratégia busca impedir colonização e transmissão antes do aparecimento de sintomas.
C) Incorreta. Apenas observar permite que o contato passe pelo período de incubação e eventualmente transmita Bordetella pertussis. Monitoramento por 21 dias é indicado, mas não substitui a quimioprofilaxia quando o contato pertence a grupo prioritário.
D) Correta (gabarito). O irmão é contato domiciliar de um lactente vulnerável com suspeita de coqueluche e deve iniciar azitromicina imediatamente no mesmo esquema utilizado para tratamento, além de ter sua vacinação posteriormente atualizada conforme orientação do serviço.