Cefaleias

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Questão 36
USP-SP · 2020

Homem de 52 anos de idade, tabagista, apresenta há alguns anos crises de forte dor de cabeça que se concentram principalmente no olho esquerdo. A cefaleia aparece de 2 em 2 anos quase sempre nesta época do ano e permanece por cerca de 45 a 60 dias, a dor dura geralmente 1 hora e na maioria das vezes aparece durante a madrugada despertando-o: fica absolutamente "desesperado" quando sente a dor e tem vontade de "bater a cabeça na parede". Durante a dor apresenta vermelhidão no olho esquerdo e lacrimejamento intenso desse lado. As crises atuais começaram há 15 dias realizou uma tomografia durante um período de crises, que era normal.

Considerando a principal hipótese diagnóstica, o que é correto afirmar?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro preenche o fenótipo clássico de cefaleia em salvas episódica: dor orbital unilateral excruciante, duração aproximada de 1 hora, recorrência noturna, hiperemia conjuntival e lacrimejamento ipsilaterais, inquietação durante a crise e períodos de semanas separados por remissões longas. Pela ICHD-3, cada ataque típico dura 15 a 180 minutos e pode ocorrer de uma vez a cada dois dias até oito vezes ao dia, acompanhado de sinais autonômicos cranianos ipsilaterais ou agitação.

O tratamento tem três frentes. A crise aguda é abortada preferencialmente com oxigênio a 100% em alto fluxo ou sumatriptano subcutâneo. A prevenção do período ativo costuma ser feita com verapamil, com monitorização eletrocardiográfica. A diretriz da European Academy of Neurology de 2023 recomenda corticosteroide sistêmico como terapia de transição, porque age rápido enquanto a profilaxia de manutenção atinge efeito; esquemas atuais usam dose inicial alta por poucos dias seguida de redução progressiva. Portanto, a alternativa com prednisona por período curto é correta, embora não represente o tratamento abortivo de cada ataque.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Prednisona por curto período é uma estratégia de transição eficaz durante a salva ativa. A formulação da questão em 2 a 3 semanas corresponde ao conceito de curso breve com retirada progressiva, evitando exposição prolongada.

B) Incorreta. Resposta absoluta à indometacina é característica de hemicrania paroxística e hemicrania contínua, não da cefaleia em salvas. A hemicrania paroxística também costuma ter ataques mais curtos e mais frequentes.

C) Incorreta. Opioides, inclusive morfina, têm início inadequado para crises breves, risco de efeitos adversos e não são tratamento recomendado. Oxigênio em alto fluxo e sumatriptano são opções de primeira linha para abortar a crise.

D) Incorreta. Antidepressivos tricíclicos podem ser usados em outros tipos de cefaleia, como algumas formas de migrânea ou cefaleia tensional, mas não são profilaxia padrão da cefaleia em salvas.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: prednisona na cefaleia em salvas é ponte, não tratamento abortivo da crise e não profilaxia crônica.

  • Crise de salvas: oxigênio 100% em alto fluxo ou sumatriptano subcutâneo.

  • Prevenção: verapamil; ECG é necessário no início e durante escalonamento de dose.

  • Dor orbital unilateral mais lacrimejamento mais paciente inquieto durante a crise é um recorte clássico de prova.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Cefaleias” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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