As Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN) constituem grupo heterogêneo de enfermidades, com características comuns listadas em publicação de 2018 da Organização Mundial da Saúde.
Pegadinha central: DTN exige reconhecer território e população de risco; não basta associar todas as doenças à pobreza de modo genérico.
Oncocercose brasileira lembra foco Yanomami na Amazônia.
Leishmaniose visceral passou por urbanização da transmissão, portanto distribuição geográfica e tendência temporal devem sempre ser interpretadas com período definido.
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Contexto
As Doenças Tropicais Negligenciadas formam um grupo ligado a vulnerabilidade social, pobreza, saneamento inadequado e barreiras de acesso à saúde, mas sua distribuição no Brasil é muito heterogênea. No recorte epidemiológico considerado pela prova, baseado no panorama utilizado em torno de 2018, a leishmaniose visceral mantinha incidência relativamente estável, apesar de expansão geográfica e urbanização da transmissão.
Dados mais recentes do Ministério da Saúde, no Boletim Epidemiológico de Doenças Tropicais Negligenciadas de 2024, reforçam que a leishmaniose visceral continua amplamente distribuída e que a carga varia conforme período e território. Por isso, a palavra “estável” deve ser entendida no recorte histórico da questão, não como afirmação imutável sobre toda a série atual. A oncocercose brasileira permanece historicamente concentrada no foco Yanomami, na região amazônica, e o tracoma está associado sobretudo a territórios com pobreza, baixa cobertura de saneamento e populações vulneráveis, inclusive indígenas e áreas rurais.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A oncocercose no Brasil não tem como área clássica de concentração o Nordeste. O foco histórico relevante situa-se na Amazônia, especialmente em território Yanomami.
B) Correta (gabarito). No panorama epidemiológico usado pela prova, a incidência de leishmaniose visceral era descrita como relativamente estável, embora com mudanças de distribuição espacial e expansão para áreas urbanizadas.
C) Incorreta. O controle da raiva mediada por cães avançou de forma expressiva, mas a afirmação de eliminação nacional da raiva humana transmitida por cães é absoluta demais para o contexto cobrado e não pode ser inferida apenas da forte redução dos casos.
D) Incorreta. Tracoma se relaciona a vulnerabilidade socioeconômica e deficiência de saneamento, mas sua maior prevalência nacional não é definida simplesmente como “periferias das grandes cidades”. Inquéritos brasileiros identificam focos também em áreas rurais e indígenas.