Aplicou-se questionário para identificar indivíduos com apneia do sono em 1.800 indivíduos do sexo masculino, com idade média de 52 anos (dp=±9 anos) e IMC de 33,8 (dp=± 4kg/m2); obtidos em clínicas especializadas em distúrbios do sono. Neste grupo apresentou o seguinte desempenho sensibilidade (S) de 97% e especificidade (E) de 13%. Este mesmo questionário foi aplicado em população jovem onde esta doença atinge cerca de 1% do grupo.
Pegadinha central: prevalência muda valores preditivos, não sensibilidade e especificidade por definição algébrica.
Doença rara produz muitos falsos positivos relativos entre todos os positivos, reduzindo o VPP.
Na vida real existe efeito de espectro, mas a banca costuma cobrar a regra clássica de independência da prevalência.
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Contexto
No modelo clássico de avaliação de testes, sensibilidade e especificidade não se alteram apenas porque a prevalência da doença mudou. Sensibilidade é a proporção de doentes com teste positivo; especificidade é a proporção de não doentes com teste negativo. Já os valores preditivos dependem diretamente da probabilidade pré-teste e, portanto, da prevalência no cenário de aplicação.
Ao levar um teste para uma população jovem com prevalência de apneia em torno de 1%, espera-se que o valor preditivo positivo diminua e o valor preditivo negativo aumente. A questão pede especificamente o comportamento da sensibilidade, que, na abordagem epidemiológica clássica de prova, deve permanecer a mesma. Na prática, sensibilidade e especificidade observadas podem variar entre populações por efeito de espectro, gravidade da doença, critérios diagnósticos e características dos pacientes, mas isso não é consequência matemática da prevalência isoladamente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Menor prevalência não aumenta automaticamente a especificidade. O parâmetro que muda de modo previsível com a prevalência é o valor preditivo.
B) Incorreta. A sensibilidade não deve diminuir simplesmente porque a doença ficou menos prevalente na nova população.
C) Incorreta. A queda da prevalência não determina simultaneamente redução de sensibilidade e aumento de especificidade.
D) Correta (gabarito). Pelo modelo clássico, a sensibilidade permanece em torno do valor previamente estimado, enquanto o valor preditivo positivo tende a cair na população de prevalência muito menor.