Paciente de 42 anos apresenta falência ovariana prematura. Apresenta calores e sudorese noturnos, além de dispareunia.
Pegadinha central: não extrapole os riscos da terapia hormonal iniciada tardiamente na menopausa comum para mulheres jovens com deficiência estrogênica precoce.
Na insuficiência ovariana primária ou menopausa precoce, a terapia hormonal costuma ser mantida até a idade média da menopausa, salvo contraindicação.
Útero presente exige proteção endometrial com progestagênio quando o estrogênio é sistêmico.
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Contexto
A nomenclatura atual reserva insuficiência ovariana primária para perda de função ovariana antes dos 40 anos; entre 40 e 44 anos fala-se mais propriamente em menopausa precoce. A questão usa o termo antigo aos 42 anos, mas o princípio terapêutico é o mesmo: uma mulher que perde estrogênio muitos anos antes da idade habitual da menopausa fica exposta por mais tempo a perda óssea e maior risco cardiometabólico.
A Evidence-based Guideline: Premature Ovarian Insufficiency 2025, elaborada por sociedades como ASRM e ESHRE, recomenda terapia hormonal até a idade habitual da menopausa na ausência de contraindicações. O documento destaca que o não uso de terapia hormonal nessa população se associa a maior risco de eventos cardiovasculares e mortalidade, e que o estrogênio tem efeitos cardiometabólicos benéficos. Isso é diferente de iniciar terapia hormonal tardiamente em mulheres muito mais velhas após menopausa espontânea.
Se o útero estiver presente, estrogênio sistêmico não deve ser usado sem oposição: deve-se associar progestagênio para prevenir hiperplasia e câncer endometrial.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Na deficiência estrogênica precoce, reposição hormonal adequada até a idade fisiológica da menopausa está associada a redução das consequências cardiometabólicas do hipoestrogenismo e é recomendada para prevenção de morbidade.
B) Incorreta. A terapia estrogênica não é reconhecida por aumentar o risco de câncer colorretal; algumas formulações combinadas chegaram a mostrar redução desse risco, embora isso não seja indicação para prescrever terapia hormonal.
C) Incorreta. Redução do risco de câncer de ovário não é benefício estabelecido da reposição estrogênica e não deve ser apresentada como objetivo do tratamento.
D) Incorreta. Estrogênio sistêmico isolado realmente aumenta o risco de hiperplasia e câncer endometrial em mulher com útero. Por isso, o esquema correto associa progestagênio; a alternativa descreve uso inadequado de estrogênio sem oposição, não a reposição hormonal corretamente prescrita.