Paciente de 60 anos, menopausa há 7 anos, sem uso de terapia hormonal apresenta queixa de corrimento em pequena quantidade, acinzentado, com odor pronunciado e os seguintes achados: - pH vaginal 6.0; - teste de hidróxido de potássio positivo; - ausência de "clue cells" (esfregaço vaginal); - presença de células basais em grande quantidade (esfregaço vaginal).
Pegadinha central: pH alto e odor na pós-menopausa não têm a mesma especificidade que na idade reprodutiva; procure sinais diretos de hipoestrogenismo.
Células basais ou parabasais abundantes apontam para atrofia vaginal.
Quando o problema é local, estrogênio vaginal em baixa dose trata diretamente o tecido-alvo e costuma ter baixa absorção sistêmica.
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Contexto
Sete anos após a menopausa, a deficiência estrogênica leva a afinamento do epitélio vaginal, redução do glicogênio, perda de lactobacilos e aumento do pH. No esfregaço, o achado de grande quantidade de células basais ou parabasais é marcador de hipoestrogenismo e favorece vaginite atrófica, hoje incluída na síndrome geniturinária da menopausa.
O pH de 6,0, o corrimento acinzentado e o teste das aminas positivo lembram vaginose bacteriana e, em uma mulher em idade reprodutiva, preencheriam três dos quatro critérios clássicos de Amsel mesmo sem clue cells. A pegadinha é que esses critérios foram validados principalmente em mulheres pré-menopáusicas e perdem especificidade após a menopausa, porque o próprio hipoestrogenismo eleva o pH e modifica a microbiota. Neste enunciado, a grande quantidade de células basais/parabasais é o dado citológico que discrimina atrofia vaginal. As orientações atuais do ACOG reconhecem estrogênio vaginal em baixa dose como tratamento efetivo para sintomas vulvovaginais do hipoestrogenismo quando não há contraindicação individual.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Clotrimazol trata candidíase, que costuma causar prurido, ardor e corrimento branco grumoso, com pH geralmente preservado. Não explica o padrão citológico de hipoestrogenismo.
B) Incorreta. Metronidazol seria apropriado para vaginose bacteriana ou tricomoníase. O odor e o pH alto são uma armadilha neste caso; no contexto pós-menopáusico, o predomínio de células basais/parabasais e a ausência de clue cells favorecem a síndrome geniturinária da menopausa que a banca pretende testar.
C) Incorreta. Gestrinona não é terapia indicada para síndrome geniturinária da menopausa e não restaura o trofismo vaginal de forma recomendada.
D) Correta (gabarito). Estrogênio local restaura maturação e espessura do epitélio, aumenta o glicogênio, favorece lactobacilos e reduz o pH vaginal, tratando a base fisiopatológica do quadro.