Adolescente masculino, 13 anos de idade, portador de anemia falciforme em seguimento regular com hematologista, apresenta queixa de febre e tosse há dois dias e dor em face anterior do tórax a direita. Ao exame clínico encontra-se em regular estado geral, levemente descorado, FC: 84 bpm, FR: 34 ipm, Saturação de Oxigênio: 95% em ar ambiente, Temp: 38°C, PA: 100/60 mmHg. Realizou radiografia de tórax, que mostrou a imagem abaixo:

Pegadinha central: síndrome torácica aguda não exige hipoxemia grave. Novo infiltrado + febre ou sintomas respiratórios em falciforme já fecha o quadro sindrômico.
Esquema inicial clássico: cefalosporina de terceira geração + macrolídeo.
Evite hiper-hidratação. A banca costuma explorar que excesso de volume pode piorar a síndrome torácica aguda.
Piora respiratória, queda de hemoglobina ou progressão radiológica devem acender alerta para transfusão e terapia intensiva.
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Contexto
Em doença falciforme, novo infiltrado pulmonar associado a febre e sintomas respiratórios define síndrome torácica aguda. O adolescente tem febre, tosse, dor torácica, FR de 34 ipm e radiografia com nova opacidade em base pulmonar direita, preenchendo a definição mesmo com saturação de 95% em ar ambiente. A síndrome pode resultar de infecção, infarto pulmonar, atelectasia ou embolização gordurosa, e esses mecanismos frequentemente coexistem.
A declaração atual da Canadian Paediatric Society sobre complicações agudas da doença falciforme, publicada em 2022, recomenda internação, manutenção de saturação pelo menos em 95%, antibiótico empírico com cefalosporina de terceira geração mais macrolídeo, evitar hiper-hidratação e incentivar espirometria de incentivo. Ceftriaxona cobre germes bacterianos típicos e claritromicina oferece cobertura para agentes atípicos, incluindo Mycoplasma.
A evolução pode ser rápida. Hemograma, reticulócitos, hemocultura e prova de compatibilidade devem ser obtidos, e transfusão simples ou de troca é considerada se houver anemia importante, hipoxemia progressiva ou deterioração clínica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Amoxicilina isolada e alta tratariam uma pneumonia comunitária simples em paciente de baixo risco, mas síndrome torácica aguda exige internação e cobertura mais ampla devido ao risco de deterioração e à combinação de causas infecciosas e não infecciosas.
B) Correta (gabarito). Internação com ceftriaxona associada a macrolídeo atende o tratamento empírico recomendado para síndrome torácica aguda, cobrindo bactérias típicas e agentes atípicos enquanto o paciente é monitorado para hipóxia e necessidade transfusional.
C) Incorreta. Fibrinólise e enoxaparina terapêutica seriam consideradas em tromboembolismo pulmonar comprovado ou de altíssima suspeita com indicação específica. O infiltrado pulmonar com febre e sintomas respiratórios em falciforme deve ser manejado inicialmente como síndrome torácica aguda.
D) Incorreta. Oxigênio é usado para manter a meta de saturação, mas não substitui antibiótico. Além disso, hiper-hidratação é inadequada porque pode piorar edema pulmonar e a própria síndrome torácica; a oferta de fluidos deve evitar exceder manutenção.