Lactente feminino, 4 meses de idade, é levada a UBS pela mãe, que deseja orientações sobre vacinação. A mãe refere que a criança apresentou com um quadro de palidez intensa, associado a hipotonia generalizada, iniciado 6 horas após a aplicação da vacina dos 2 meses de vida. Refere que a criança não reagia quando estimulada. À época, a mãe levou a criança ao serviço de saúde, mas o episódio se resolveu antes da chegada ao hospital. A criança foi avaliada, permaneceu em observação por algumas horas e depois foi liberada. Evoluiu bem, sem novos episódios. Atualmente com desenvolvimento neuropsicomotor adequado para a idade.
Pegadinha central: EHH não significa parar de vacinar. Significa trocar o componente pertussis celular pelo acelular.
Tríade que fecha o diagnóstico: hipotonia, hiporresponsividade e palidez ou cianose, com resolução espontânea.
Calendário atual: poliomielite é feita com VIP no Brasil; a antiga menção à VOP não muda o raciocínio da questão.
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Contexto
Palidez súbita, hipotonia generalizada e hiporresponsividade após vacinação, com recuperação espontânea e completa, definem o episódio hipotônico-hiporresponsivo. O EHH ocorre tipicamente nas primeiras 48 horas após vacinas contendo componente pertussis, especialmente as formulações de células inteiras. O início 6 horas depois da dose, a ausência de sequelas e o desenvolvimento atual normal são muito característicos.
O EHH não é encefalopatia e não implica suspensão do calendário vacinal. Segundo o Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais do Ministério da Saúde, EHH nas primeiras 48 horas após DTP ou pentavalente de células inteiras é indicação para que as doses subsequentes com pertussis utilizem formulação acelular, por meio do fluxo do CRIE. As demais vacinas apropriadas à idade devem ser mantidas.
Há uma atualização importante em relação ao texto da alternativa A. No calendário atual do Programa Nacional de Imunizações, desde novembro de 2024, o esquema contra poliomielite passou a utilizar exclusivamente a vacina inativada, VIP. De todo modo, mesmo na época em que a vacina oral atenuada era usada, EHH não constituía contraindicação a vacinas de vírus vivos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O evento descrito não contraindica rotavírus nem outras vacinas vivas por mecanismo imunológico. Além disso, a rotina atual brasileira usa VIP, e não vacina oral atenuada, para poliomielite. O problema específico é a reexposição ao componente pertussis de células inteiras.
B) Incorreta. O calendário deve continuar, mas repetir a formulação de células inteiras ignora uma indicação formal de substituição por pertussis acelular. Observação prolongada não corrige esse ponto.
C) Incorreta. Separar vacinas em dias distintos não é a recomendação para EHH e atrasa proteção sem resolver o fator associado ao evento. A medida é trocar a formulação com pertussis de células inteiras por acelular.
D) Correta (gabarito). Após EHH temporalmente associado à vacina com pertussis de células inteiras, deve-se usar formulação acelular nas doses subsequentes, mantendo as demais imunizações indicadas conforme o calendário e o fluxo do CRIE.