Hipoglicemia e distúrbios metabólicos do RN

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Questão 98
USP-SP · 2020

Recém-nascido masculino, 2o dia de vida, apresenta quadro de tremores de membros superiores, sem outros sintomas associados. Trata-se de recém-nascido de termo, adequado para idade gestacional, filho de mãe tercigesta, realizou pré-natal com 12 consultas, com diagnóstico de diabetes gestacional. Nasceu de parto vaginal, sem intercorrências, pesando 3.120 gramas, boletim de Apgar: 09/10/10. Glicemia capilar neste momento: 52 mg/dL.

Está indicado:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Filhos de mães com diabetes têm risco aumentado de distúrbios metabólicos neonatais, principalmente hipoglicemia, hipocalcemia e, em parte dos casos, hipomagnesemia. O recém-nascido está no segundo dia de vida, período típico da hipocalcemia neonatal precoce, e apresenta tremores apesar de glicemia capilar de 52 mg/dL, valor que não é baixo o suficiente, isoladamente, para explicar o quadro ou justificar bolus intravenoso de glicose.

Em recém-nascidos de termo, hipocalcemia costuma ser definida por cálcio total abaixo de aproximadamente 8 mg/dL ou cálcio ionizado abaixo de cerca de 1,1 mmol/L. Tremores, irritabilidade, hiperreflexia, espasmos e convulsões podem ser manifestações. Magnésio deve ser medido junto porque hipomagnesemia pode reduzir secreção e ação do paratormônio e tornar a hipocalcemia difícil de corrigir. Fósforo também ajuda a caracterizar o mecanismo.

Glicosímetros capilares têm menor precisão na faixa baixa e uma glicemia plasmática é útil quando o valor capilar é realmente baixo ou não combina com o quadro. Aqui, porém, repetir apenas a glicose deixaria sem investigação uma causa metabólica particularmente associada a filho de mãe diabética.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). O sintoma persiste com glicemia de 52 mg/dL e há um fator de risco específico para hipocalcemia. A próxima etapa é ampliar a investigação com eletrólitos, incluindo cálcio e magnésio, idealmente com cálcio ionizado e fósforo.

B) Incorreta. Glicemia plasmática é o método de referência para confirmar hipoglicemia quando o valor à beira do leito está baixo ou duvidoso, mas 52 mg/dL no segundo dia não torna hipoglicemia a explicação mais provável dos tremores. A alternativa falha por restringir a investigação à glicose.

C) Incorreta. Complementação com fórmula pode ser usada em situações selecionadas de ingestão insuficiente ou hipoglicemia assintomática conforme protocolo, mas não é o tratamento de tremores com glicemia aceitável e sem evidência de falha alimentar.

D) Incorreta. Bolus de glicose a 10% é reservado para hipoglicemia sintomática significativa ou grave. Administrá-lo com glicemia de 52 mg/dL sem confirmar hipoglicemia expõe o recém-nascido a hiperglicemia e oscilações glicêmicas desnecessárias.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: tremor em filho de mãe diabética não é sinônimo de hipoglicemia. Se a glicose não explica o sintoma, pense em cálcio e magnésio.

  • Hipocalcemia neonatal precoce costuma aparecer nas primeiras 72 horas e é mais comum em filhos de mães diabéticas.

  • Hipomagnesemia pode causar ou perpetuar hipocalcemia; por isso os dois eletrólitos devem ser pesquisados juntos.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Hipoglicemia e distúrbios metabólicos do RN” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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