Lactante de 10 meses portador de Síndrome de Down é encaminhado ao cirurgião pediátrico para realização de fundoplicatura por refluxo grave com dificuldade de ganho ponderal. A mãe relata que o filho apresenta vômitos alimentares 2 a 3 vezes ao dia e o quadro se intensificou aos 6 meses, quando foram introduzidos alimentos pastosos. Traz um exame contrastado que revela a imagem a seguir.

A pegadinha é chamar de refluxo um quadro em que existe obstrução anatômica distal ao estômago.
Síndrome de Down tem associação clássica com obstruções duodenais congênitas.
Obstrução parcial pode aparecer meses depois e piorar quando a dieta fica mais espessa; atresia completa costuma se apresentar no período neonatal.
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Contexto
O exame contrastado mostra dilatação do estômago e do duodeno proximal, com passagem de contraste para segmentos distais, padrão de obstrução duodenal congênita parcial. A apresentação tardia, com piora após introdução de alimentos pastosos, favorece membrana duodenal, estenose ou outra obstrução incompleta, em vez de atresia completa, que costuma manifestar-se logo no período neonatal.
A associação com síndrome de Down é uma pista de alto rendimento para anomalias duodenais congênitas. A obstrução proximal produz vômitos, distensão do estômago e duodeno e dificuldade de ganho ponderal. O refluxo pode ser secundário ao represamento a montante; tratar apenas o refluxo não remove a barreira anatômica.
O tratamento clássico das obstruções duodenais congênitas que exigem derivação é a duodeno-duodeno anastomose, frequentemente em configuração diamantada, contornando o segmento obstruído. Antes da cirurgia, corrige-se desidratação e distúrbios eletrolíticos e realiza-se descompressão gástrica quando necessária.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Piloroplastia corrige obstrução ou disfunção da saída gástrica no piloro. A imagem localiza o problema no duodeno.
B) Correta (gabarito). A duodeno-duodeno anastomose desvia a obstrução congênita e restabelece o trânsito intestinal, tratando a causa dos vômitos e do baixo ganho ponderal.
C) Incorreta. Hiatoplastia e fundoplicatura tratariam refluxo gastroesofágico, mas deixariam intacta a obstrução duodenal que está provocando o represamento alimentar.
D) Incorreta. Medicação antirrefluxo e pró-cinético não corrige obstrução estrutural. Além disso, ranitidina deixou de ser opção rotineira em muitos mercados por questões regulatórias.