O estudo histórico dos processos de adoecimento e das demandas de saúde da população brasileira traz em seus objetivos a possibilidade de reflexão frente aos contextos em que tais processos e demandas são produzidos, em meio a rupturas e permanências históricas.
Pegadinha central: a história da saúde não é uma substituição completa do saber popular pelo biomédico; há coexistência, transformação e conflito.
Desconfie de alternativas históricas com absolutos como “completamente”, “sempre” e “sem conflitos”.
Práticas de cuidado são produzidas socialmente e refletem cultura, território, relações de poder e acesso aos serviços.
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Contexto
O processo histórico de cuidado em saúde no Brasil é marcado por pluralidade terapêutica. Saberes populares, indígenas, afro-brasileiros, religiosos, familiares e comunitários coexistiram com a medicina acadêmica, às vezes em cooperação e muitas vezes em conflito. As chamadas “artes de curar” não são apenas vestígios históricos: suas explicações sobre adoecimento, formas de acolhimento, uso de plantas, rezas, benzimentos e redes de cuidado continuam influenciando comportamentos de saúde e itinerários terapêuticos.
A institucionalização da medicina e da Saúde Pública não ocorreu de forma linear, homogênea ou livre de disputas. Houve forte participação do Estado, da medicina científica, de campanhas sanitárias, de instituições internacionais e de interesses sociais diversos. Por isso, alternativas que descrevem desaparecimento completo das práticas populares ou integração sem conflitos distorcem o processo histórico.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Reconhece permanências históricas, conflitos e a participação ativa de práticas populares na construção contemporânea das concepções de adoecimento e cuidado.
B) Incorreta. A medicina acadêmica não suprimiu totalmente saberes e práticas populares. Eles persistem, se transformam e convivem com serviços biomédicos em diferentes contextos sociais.
C) Incorreta. A Saúde Pública brasileira não teve trajetória sempre popular nem isolada do campo médico ou internacional. Sua história inclui sanitarismo estatal, medicina social, campanhas, reformas administrativas e influência de organismos e modelos estrangeiros.
D) Incorreta. A medicina brasileira do século XIX e períodos posteriores não se constituiu em harmonia contínua com o mundo popular nem conseguiu responder de forma uniforme às necessidades urbanas e rurais. Conflitos, desigualdades de acesso e disputas de legitimidade fizeram parte desse processo.