Infecções congênitas (STORCH)

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Questão 97
USP-SP · 2020

No exame físico inicial de um recém-nascido de termo, masculino, pequeno para idade gestacional, foi notado microcefalia (PC: 31 cm) e presença de petéquias em face. Frente aos achados, foi realizada uma ultrassonografia transfontanela, com achado de calcificações periventriculares, sem outras alterações. Também colhido hemograma, com Hb 16,2, Ht 41%, leucócitos: 11.300, plaquetas: 75.000. Triagem auditiva neonatal: falhou bilateralmente. Nasceu de parto cesárea por iteratividade, filho de mãe de 32 anos, tercigesta, sem comorbidades e com pré-natal inadequado, sem coleta de exames. Os seguintes exames maternos foram colhidos nesta internação: HIV: negativo; VDRL: negativo; Hepatite C: negativo; Hepatite B: Anti-HBs positivo, anti-HBc negativo, Hbs Ag negativo; Toxoplasmose: lgM negativo / lgG negativo; Rubéola: lgM negativo / IgG positivo; Citomegalovírus: IgM negativo / IgG positivo;

Frente a principal hipótese diagnóstica, a conduta indicada é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O conjunto é altamente característico de citomegalovirose congênita sintomática: pequeno para a idade gestacional, microcefalia, petéquias, plaquetas de 75.000, falha bilateral na triagem auditiva e calcificações periventriculares. A localização periventricular das calcificações é um marcador clássico de CMV; toxoplasmose congênita costuma produzir calcificações intracranianas mais difusas, frequentemente associadas a hidrocefalia e coriorretinite.

A orientação atual do CDC é confirmar CMV congênito por teste molecular em saliva ou urina nas primeiras 2 a 3 semanas de vida, idealmente até 21 dias. Depois desse período, um teste positivo não distingue com segurança infecção congênita de infecção adquirida após o nascimento. A sorologia neonatal ou materna não substitui o PCR. IgG materna positiva com IgM negativa também não exclui transmissão fetal, porque reinfecção ou reativação materna pode ocorrer.

Como a alternativa oferece PCR urinário, ela fornece o teste confirmatório apropriado. Em um recém-nascido sintomático confirmado, a sequência inclui avaliação de carga de doença, função hepática e hematológica, exame oftalmológico, avaliação auditiva diagnóstica e discussão de terapia antiviral.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Teste do pezinho ampliado e cariótipo podem ter papel em outros contextos de microcefalia, mas não são o exame prioritário diante de uma síndrome infecciosa congênita com calcificações periventriculares, trombocitopenia e perda auditiva.

B) Correta (gabarito). PCR para CMV na urina nas primeiras 3 semanas confirma infecção congênita. É exatamente o exame que deve ser obtido antes que a janela diagnóstica se feche.

C) Incorreta. A mãe tem HBsAg negativo, anti-HBc negativo e anti-HBs positivo, padrão compatível com imunidade vacinal e não com infecção ativa pelo HBV. O recém-nascido deve receber a vacinação de rotina para hepatite B, mas não há indicação de imunoglobulina específica por exposição materna.

D) Incorreta. Exposição fetal ao álcool pode causar restrição de crescimento, microcefalia e alterações faciais ou neurocomportamentais, mas não explica a combinação de petéquias, trombocitopenia, calcificações periventriculares e falha auditiva bilateral.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: IgM materna negativa não exclui CMV congênito. Infecção não primária materna também pode transmitir o vírus.

  • CMV: calcificações periventriculares. Toxoplasmose: calcificações mais difusas, hidrocefalia e coriorretinite.

  • Para provar que o CMV é congênito, colha PCR em saliva ou urina até 21 dias de vida.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Infecções congênitas (STORCH)” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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