Primigesta, 27 anos de idade, vem para iniciar pré-natal. É hipertensa crônica diagnosticada aos 22 anos de idade, fez uso de enalapril por 3 anos e, após mudança de hábitos de vida, suspendeu o tratamento medicamentoso. Tem diabetes tipo 2, usava metformina antes de engravidar que também suspendeu. Idade gestacional de 9 semanas, assintomática. Ao exame clínico inicial, apresenta pressão arterial de 166x102mmHg, confirmada em segunda ocasião.
Pegadinha central: hipertensão antes de 20 semanas sugere doença crônica; pré-eclâmpsia típica surge depois de 20 semanas.
Atualização importante: desde o CHAP, não se espera 160/110 para começar tratamento da hipertensão crônica; o limiar é 140/90 mmHg.
PAS persistente de 160 mmHg ou mais já é faixa grave, mesmo com PAD abaixo de 110 mmHg.
IECA, como enalapril, não deve ser mantido durante a gestação.
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Contexto
A hipertensão foi diagnosticada anos antes da gestação e está presente com 9 semanas, portanto é hipertensão arterial crônica na gestação. O ACOG Practice Advisory 2022, reafirmado em 2025 após o estudo CHAP, recomenda iniciar ou titular tratamento da hipertensão crônica a partir de 140/90 mmHg, e não esperar níveis de 160/110 mmHg.
A pressão de 166/102 mmHg contém componente sistólico em faixa grave. Recomendações atuais consideram pressão sistólica de 160 mmHg ou mais, ou diastólica de 110 mmHg ou mais, persistente por pelo menos 15 minutos, uma situação que exige avaliação e tratamento anti-hipertensivo urgente para reduzir risco materno, especialmente acidente vascular cerebral. Esse tratamento pode ser feito com nifedipino de liberação imediata por via oral ou com labetalol/hidralazina intravenosos, conforme o contexto.
O gabarito A reflete o ponto central da prova: essa gestante precisa de tratamento farmacológico com droga compatível com a gravidez, e não de sulfato de magnésio. Porém, à luz das recomendações atuais, uma PAS persistentemente de 166 mmHg não deve ser simplesmente encaminhada para seguimento ambulatorial sem avaliação urgente. Enalapril deve ser evitado na gestação; opções usuais incluem nifedipino, labetalol e metildopa.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A hipertensão crônica requer tratamento medicamentoso. Entre as opções, esta é a que identifica corretamente a necessidade de anti-hipertensivo, embora o termo “ambulatorial” seja menos adequado se a PAS de 166 mmHg permanecer em faixa grave, situação em que a avaliação deve ser urgente.
B) Incorreta. Tratamento intravenoso não é obrigatório apenas pelo diagnóstico de hipertensão crônica; mesmo na hipertensão grave aguda, nifedipino oral de liberação imediata é alternativa aceita. O que é obrigatório na faixa grave persistente é tratamento rápido e avaliação, não necessariamente via endovenosa.
C) Incorreta. Sulfato de magnésio previne e trata convulsões relacionadas à pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e eclâmpsia. Aos 9 semanas, o quadro descrito é hipertensão crônica isolada, sem elementos de pré-eclâmpsia.
D) Incorreta. Tanto pelo limiar atual de 140/90 mmHg para hipertensão crônica quanto pela PAS em faixa grave, não há espaço para simples observação sem tratamento.