Feridas complexas e princípios de reconstrução

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 78
USP-SP · 2020

Homem, 23 anos de idade, motociclista, foi vítima de colisão com automóvel. No Serviço de Emergência foi avaliado e liberado pela Cirurgia Geral e pela Ortopedia, sendo posteriormente encaminhado à cirurgia plástica que identificou ferimento descolante de terço médio da perna direita, após descartada fratura.

Qual é a melhor conduta, além da limpeza com soro fisiológico e degermação?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O ferimento descolante aberto, também chamado de degloving, ocorre quando forças tangenciais separam pele e tecido subcutâneo dos planos profundos. O ponto decisivo é que a pele avulsionada pode perder sua perfusão como retalho, mas ainda pode ser aproveitada como enxerto. Para isso, remove-se tecido inviável e a gordura subcutânea aderida, transformando a pele descolada em um enxerto fino capaz de sobreviver inicialmente por embebição plasmática e, depois, por inosculação e revascularização a partir do leito receptor.

O manejo exige desbridamento rigoroso até tecido viável, hemostasia, redução de espaço morto e cobertura estável. Quando a própria pele avulsionada está disponível, o reaproveitamento reduz a necessidade de criar uma nova área doadora. O curativo por pressão negativa pode funcionar como método de fixação do enxerto, mantendo contato uniforme com o leito, removendo exsudato e diminuindo cisalhamento e coleções que prejudicariam a integração.

Retalhos vascularizados ficam reservados para defeitos em que há exposição de estruturas nobres, como osso sem periósteo, tendão sem paratendão, vasos ou nervos, ou quando o leito não é adequado para enxertia. Esse não é o cenário descrito pela questão.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Desprezar toda a pele descolada elimina tecido potencialmente útil. Em degloving aberto, a pele avulsionada frequentemente é desengordurada e reaplicada como enxerto, desde que o tecido possa ser preparado e o leito esteja viável.

B) Correta (gabarito). A conduta combina os três passos apropriados: ressecar o tecido inviável, emagrecer a pele avulsionada para utilizá-la como enxerto e estabilizar esse enxerto sobre o leito cruento, podendo usar pressão negativa como curativo de fixação.

C) Incorreta. Ressecar toda a pele e realizar retalho local da coxa é uma reconstrução mais complexa do que o necessário e ainda pode recrutar tecido próximo da zona de trauma. Retalho é indicado quando o leito não aceita enxerto ou quando há exposição de estruturas que exigem cobertura vascularizada.

D) Incorreta. O enxerto de pele da coxa contralateral poderia cobrir um leito adequado, mas cria uma segunda ferida doadora sem necessidade. A pegadinha é ignorar que a própria pele avulsionada pode ser reaproveitada após desengorduramento.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: pele descolada e sem pedículo confiável não precisa ser jogada fora; ela pode virar enxerto após desengorduramento.

  • Enxerto precisa de leito vascularizado e imobilização adequada; pressão negativa pode atuar como curativo de fixação.

  • Retalho é para quando enxerto não basta, sobretudo diante de exposição de estruturas nobres ou leito pouco vascularizado.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Feridas complexas e princípios de reconstrução” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →