Feridas complexas e princípios de reconstrução

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Questão 88
USP-SP · 2021

Paciente de 65 anos, sexo masculino, previamente hígido, foi acometido pelo vírus Sars Cov-2, permaneceu internado por tempo prolongado e desenvolveu úlcera de pressão em região sacral. A lesão acometia toda pele e parcialmente o tecido subcutâneo.

Figura da questão 88 da USP-SP 2021
Figura da questão

Qual é a classificação desta úlcera pelo NPUAP (National Pressure Ulcer Advisory Panel) e qual é a melhor sequência de tratamento?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A descrição informa perda de toda a espessura da pele com comprometimento do tecido subcutâneo, sem exposição de fáscia, músculo, tendão ou osso. Pela classificação do National Pressure Injury Advisory Panel, NPIAP, estabelecida em 2016 e mantida no sistema atual de estadiamento, isso corresponde a lesão por pressão estágio 3, chamada grau III na nomenclatura utilizada pela questão.

A imagem inicial mostra defeito sacral amplo, e após a primeira intervenção observa-se leito mais limpo e granulado. O tratamento de uma lesão profunda passa por desbridamento de tecido desvitalizado, alívio rigoroso da pressão, controle de umidade, otimização nutricional e tratamento de infecção quando presente. Terapia por pressão negativa pode ser utilizada após o desbridamento para controlar exsudato, estimular tecido de granulação e preparar o leito para reconstrução.

Defeitos sacrais extensos e profundos frequentemente necessitam cobertura com tecido bem vascularizado e resistente à pressão, sendo retalhos fasciocutâneos de avanço ou rotação opções reconstrutivas. A indicação de fechamento cirúrgico é individualizada, mas no cenário da questão essa sequência é superior a esperar cicatrização prolongada por segunda intenção. Antibiótico tópico rotineiro não substitui desbridamento e não deve ser usado apenas porque existe uma lesão por pressão.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. O estágio 3 está correto, mas o tratamento proposto é inadequado para a lesão extensa mostrada. Antibiótico tópico de rotina não é estratégia central, e aguardar exclusivamente cicatrização por segunda intenção pode prolongar muito o tratamento e não oferecer cobertura durável da região sacral.

B) Correta (gabarito). A lesão é estágio 3. Desbridamento remove tecido inviável, a pressão negativa pode preparar o leito e um retalho fasciocutâneo fornece cobertura vascularizada e resistente para um defeito sacral profundo selecionado.

C) Incorreta. Estágio 4 exige exposição ou palpação direta de estruturas profundas como fáscia, músculo, tendão ou osso, o que não foi descrito. Além disso, enxerto cutâneo isolado é pouco resistente para uma área sacral profunda submetida a pressão.

D) Incorreta. A sequência reconstrutiva é plausível, mas a classificação está errada. Sem exposição de músculo, fáscia ou osso, a lesão é estágio 3, não estágio 4.

Bizu MedBoard
  • Gordura exposta sem músculo ou osso = estágio 3; estruturas profundas expostas = estágio 4.

  • Pressão negativa prepara o leito, mas não substitui alívio da pressão, nutrição e desbridamento quando necessário.

  • Retalho oferece cobertura mais resistente que enxerto simples em defeitos sacrais profundos selecionados.

  • Antibiótico é para infecção clínica, não para toda lesão por pressão automaticamente.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Feridas complexas e princípios de reconstrução” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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