Gestante de 25 anos de idade, primigesta, com 33 semanas e 3 dias de gravidez, chega ao pronto atendimento obstétrico em crise convulsiva tônico-clônica generalizada. O companheiro refere que a paciente estava com dor de cabeça intensa antes da convulsão. No exame clínico, está em mau estado geral, descorada +/4, hidratada, Pressão arterial 152 x 105 mmHg, FC 92 bpm, FR 18 ipm, Saturação 96%, edema de MMII de 3+/4. No exame obstétrico, AU 33 cm, BCF presente e rítmico, dinâmica uterina presente (2 contrações em 10 minutos), toque vaginal com colo dilatado 3 cm, médio, medianizado.
Eclâmpsia: estabiliza primeiro, resolve a gestação depois.
Sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha e não deve ser substituído rotineiramente por benzodiazepínico.
Eclâmpsia não significa cesárea obrigatória; a via do parto continua sendo decisão obstétrica.
Não adie o parto para completar corticoide antenatal quando existe indicação materna de resolução.
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Contexto
Convulsão tônico-clônica generalizada em gestante de 33 semanas, acompanhada de cefaleia, hipertensão e edema, sem outra causa evidente, define eclâmpsia. A prioridade é estabilização materna: proteção de via aérea e oxigenação conforme necessidade, sulfato de magnésio para prevenir recorrência das convulsões e tratamento urgente da hipertensão grave quando a pressão persiste em valores de pelo menos 160 mmHg sistólica ou 110 mmHg diastólica.
O ACOG Practice Bulletin sobre hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, reafirmado em 2026, mantém sulfato de magnésio como anticonvulsivante de escolha. Um regime habitual é ataque de 4 a 6 g IV seguido de manutenção de 1 a 2 g/h, com vigilância de reflexos, frequência respiratória, diurese e sinais de toxicidade.
Depois da estabilização, a gestação deve ser resolvida independentemente da idade gestacional. Eclâmpsia não é indicação automática de cesariana. A via do parto depende de apresentação fetal, dilatação, progressão do trabalho de parto e condições materno-fetais. Esta paciente já apresenta dinâmica uterina e colo com 3 cm de dilatação, portanto a condução do parto é apropriada se não surgir contraindicação obstétrica.
Com 33 semanas, corticosteroide antenatal pode trazer benefício fetal se houver oportunidade, mas a resolução da gestação não deve ser adiada para completar corticoterapia diante de eclâmpsia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Cesárea imediata não é obrigatória pelo diagnóstico de eclâmpsia. Primeiro estabiliza-se a mãe e depois escolhe-se a via de parto conforme condições obstétricas.
B) Incorreta. Tocólise é inadequada porque a eclâmpsia é indicação de resolução da gestação após estabilização. Prolongar a gravidez mantém o risco materno de nova convulsão, AVC, edema pulmonar e outras complicações.
C) Correta (gabarito). Após estabilização, deve-se conduzir o parto. Como a paciente já está em trabalho de parto e não há contraindicação descrita à via vaginal, essa via pode ser privilegiada com vigilância materno-fetal.
D) Incorreta. Corticoide fetal pode ser administrado quando houver tempo, mas não se deve atrasar a resolução da gestação para completar o esquema em uma paciente com eclâmpsia.