Síndromes hipertensivas da gestação

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 110
USP-SP · 2021

Gestante de 25 anos de idade, primigesta, com 33 semanas e 3 dias de gravidez, chega ao pronto atendimento obstétrico em crise convulsiva tônico-clônica generalizada. O companheiro refere que a paciente estava com dor de cabeça intensa antes da convulsão. No exame clínico, está em mau estado geral, descorada +/4, hidratada, Pressão arterial 152 x 105 mmHg, FC 92 bpm, FR 18 ipm, Saturação 96%, edema de MMII de 3+/4. No exame obstétrico, AU 33 cm, BCF presente e rítmico, dinâmica uterina presente (2 contrações em 10 minutos), toque vaginal com colo dilatado 3 cm, médio, medianizado.

Após o tratamento adequado, com estabilização do quadro clínico e avaliação laboratorial, a conduta obstétrica é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Convulsão tônico-clônica generalizada em gestante de 33 semanas, acompanhada de cefaleia, hipertensão e edema, sem outra causa evidente, define eclâmpsia. A prioridade é estabilização materna: proteção de via aérea e oxigenação conforme necessidade, sulfato de magnésio para prevenir recorrência das convulsões e tratamento urgente da hipertensão grave quando a pressão persiste em valores de pelo menos 160 mmHg sistólica ou 110 mmHg diastólica.

O ACOG Practice Bulletin sobre hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, reafirmado em 2026, mantém sulfato de magnésio como anticonvulsivante de escolha. Um regime habitual é ataque de 4 a 6 g IV seguido de manutenção de 1 a 2 g/h, com vigilância de reflexos, frequência respiratória, diurese e sinais de toxicidade.

Depois da estabilização, a gestação deve ser resolvida independentemente da idade gestacional. Eclâmpsia não é indicação automática de cesariana. A via do parto depende de apresentação fetal, dilatação, progressão do trabalho de parto e condições materno-fetais. Esta paciente já apresenta dinâmica uterina e colo com 3 cm de dilatação, portanto a condução do parto é apropriada se não surgir contraindicação obstétrica.

Com 33 semanas, corticosteroide antenatal pode trazer benefício fetal se houver oportunidade, mas a resolução da gestação não deve ser adiada para completar corticoterapia diante de eclâmpsia.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Cesárea imediata não é obrigatória pelo diagnóstico de eclâmpsia. Primeiro estabiliza-se a mãe e depois escolhe-se a via de parto conforme condições obstétricas.

B) Incorreta. Tocólise é inadequada porque a eclâmpsia é indicação de resolução da gestação após estabilização. Prolongar a gravidez mantém o risco materno de nova convulsão, AVC, edema pulmonar e outras complicações.

C) Correta (gabarito). Após estabilização, deve-se conduzir o parto. Como a paciente já está em trabalho de parto e não há contraindicação descrita à via vaginal, essa via pode ser privilegiada com vigilância materno-fetal.

D) Incorreta. Corticoide fetal pode ser administrado quando houver tempo, mas não se deve atrasar a resolução da gestação para completar o esquema em uma paciente com eclâmpsia.

Bizu MedBoard
  • Eclâmpsia: estabiliza primeiro, resolve a gestação depois.

  • Sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha e não deve ser substituído rotineiramente por benzodiazepínico.

  • Eclâmpsia não significa cesárea obrigatória; a via do parto continua sendo decisão obstétrica.

  • Não adie o parto para completar corticoide antenatal quando existe indicação materna de resolução.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Síndromes hipertensivas da gestação” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →