Obstrução intestinal

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Questão 73
USP-SP · 2021

Homem de 59 anos de idade procura o Serviço de Emergência com dor abdominal em cólica, difusa, há 3 dias, associada a distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes. Refere alteração do hábito intestinal há 3 meses, com necessidade de laxativos para evacuar, além de sangue nas fezes e alteração do formato. Nega vômitos. Não tem antecedentes mórbidos relevantes e nega operações prévias. Ao exame físico está em bom estado geral, corado, desidratado, IMC: 31kg/m2. Semiologias cardíaca e pulmonar normais. Abdome: flácido, distendido, pouco doloroso à palpação, sem sinais de irritação peritoneal e sem massas palpáveis. No toque retal, ausência de fezes na ampola, presença de lesão ulcerada circunferencial a 6 cm da borda anal e presença de sangue. Realizada tomografia de abdome e pelve: ausência de lesões hepáticas, sem liquido livre. Distensão apenas de cólon e espessamento do reto médio distal com linfonodos aumentados no mesorreto.

Qual é a conduta?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O paciente apresenta obstrução intestinal baixa por provável câncer de reto médio-distal. Há parada de eliminação de fezes e gases, distensão exclusiva do cólon e lesão circunferencial ulcerada palpável a 6 cm da borda anal, além de linfonodos aumentados no mesorreto. Não há perfuração, peritonite ou instabilidade hemodinâmica. O objetivo imediato não é realizar a operação oncológica definitiva, mas aliviar a obstrução sem comprometer o estadiamento e a estratégia multimodal do câncer de reto.

A diretriz da ASCRS para câncer de reto de 2020 recomenda que, na obstrução causada por câncer de reto extraperitoneal, seja considerada descompressão por estoma proximal derivativo. A derivação costuma ser feita em alça para permitir descompressão do segmento distal. Isso oferece tempo para completar estadiamento local, idealmente com ressonância da pelve, obter confirmação histológica e definir tratamento neoadjuvante quando indicado antes da ressecção definitiva.

Um tumor localizado a 6 cm da borda anal é baixo o suficiente para tornar inadequada uma ressecção definitiva de urgência sem planejamento. A possibilidade de preservação esfincteriana, necessidade de excisão total do mesorreto, margem circunferencial e eventual terapia neoadjuvante dependem do estadiamento. Além disso, prótese endoluminal em câncer de reto distal geralmente não é a estratégia preferencial por risco de dor, tenesmo e migração.

A alternativa especifica colostomia por laparotomia. Atualmente, a via de acesso pode ser individualizada conforme estabilidade, distensão, experiência e recursos, inclusive com possibilidade de abordagem minimamente invasiva em casos selecionados. O elemento decisivo do gabarito é colostomia em alça derivativa proximal, e não a obrigatoriedade da laparotomia em todos os casos.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Uma ileostomia desvia o intestino delgado, mas não é a melhor maneira de descomprimir um cólon já marcadamente distendido por obstrução distal, sobretudo quando a válvula ileocecal é competente. A derivação colônica proximal ao tumor é mais adequada.

B) Incorreta. Retossigmoidectomia oncológica de urgência eliminaria a oportunidade de completar adequadamente o estadiamento e planejar tratamento neoadjuvante, além de aumentar a complexidade de uma operação em cólon distendido. Sem perfuração ou peritonite, a prioridade é derivação.

C) Correta (gabarito). A colostomia em alça descomprime o cólon e controla a urgência sem realizar uma ressecção oncológica definitiva precipitada. Depois da recuperação, o paciente pode completar biópsia, estadiamento e tratamento multimodal do câncer de reto.

D) Incorreta. Amputação abdominoperineal é uma operação oncológica definitiva reservada a tumores em que não seja possível preservar o aparelho esfincteriano ou em outras situações específicas. A localização isolada não autoriza essa decisão sem estadiamento e planejamento.

Bizu MedBoard
  • Câncer de reto baixo obstrutivo sem perfuração: descomprima primeiro e faça o tratamento oncológico definitivo depois.

  • Derivação em alça permite estadiamento e eventual neoadjuvância antes da excisão total do mesorreto.

  • Ileostomia não é a melhor escolha para descomprimir um cólon obstruído e já distendido.

  • Ressecção definitiva de urgência é diferente de cirurgia para perfuração ou peritonite, situações em que o controle de fonte pode obrigar outra estratégia.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Obstrução intestinal” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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