A seleção do grupo controle ideal em estudos de casos e controles sobre malformações congênitas ainda é um ponto de controvérsia entre epidemiologistas. Alguns defendem que o grupo controle deve ser formado por crianças sem malformação congênita, enquanto outros argumentam que o grupo controle ideal deveria ser formado por crianças com uma malformação congênita distinta daquela em estudo. No centro deste debate está a validade interna dos estudos, em particular a ocorrência de dois tipos distintos de erro sistemático (vieses de memória e de seleção).
Viés de memória clássico no caso-controle: casos lembram mais a exposição, e a OR pode ser inflada.
Controle deve representar a distribuição de exposição da população que gerou os casos.
Se a exposição também causa a doença usada para selecionar controles, ela fica excessivamente frequente nos controles e a associação pode ser puxada em direção ao nulo.
Nunca decore que todo viés de seleção aumenta ou diminui a OR; a direção depende do mecanismo.
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Contexto
Em estudos caso-controle, a odds ratio depende de como casos e controles relatam exposições passadas e de como os controles representam a população que originou os casos. A questão descreve dois vieses possíveis e pergunta a direção esperada da distorção neste cenário específico de malformações congênitas.
No viés de memória, mães de crianças com a malformação estudada podem procurar explicações para o evento e recordar ou relatar exposições potencialmente teratogênicas com maior intensidade que mães de crianças sem malformação. Isso aumenta artificialmente a frequência de exposição entre os casos e tende a deslocar a OR para longe de 1, superestimando a associação.
Já o problema de seleção surge quando o grupo controle é formado por crianças com outras malformações que podem compartilhar fatores etiológicos com a malformação de interesse. Se a exposição estudada também aumentar a chance dessas outras malformações, ela ficará artificialmente mais frequente entre os controles. O contraste entre casos e controles diminui e a OR tende a aproximar-se de 1, subestimando a associação. A direção de um viés de seleção não é universal em epidemiologia; esta conclusão decorre do mecanismo particular apresentado no enunciado.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A recordação diferencial tende a elevar a exposição relatada entre mães de casos e superestimar a OR. Selecionar controles com outras malformações relacionadas à mesma exposição pode elevar a exposição no grupo controle e reduzir a OR, produzindo subestimação.
B) Incorreta. A alternativa inverte os efeitos esperados. Neste cenário, o viés de memória tende a afastar a estimativa do nulo para cima, enquanto o mecanismo de seleção descrito tende a aproximá-la de 1.
C) Incorreta. O viés de memória pode superestimar a associação, mas o uso de controles com outras malformações relacionadas à exposição tende a aumentar a prevalência dessa exposição no grupo controle e, portanto, reduzir a OR.
D) Incorreta. Vieses são erros sistemáticos e podem alterar a medida de associação. A ausência de efeito sobre a OR só ocorreria se o mecanismo de erro não fosse diferencial ou não estivesse relacionado à seleção e à exposição de modo capaz de distorcer a comparação.