Uma das preocupações dos órgãos públicos da Saúde no enfrentamento da pandemia causada pelo SARS-CoV-2 é a segunda onda epidêmica.
Nova onda precisa de combustível: pessoas suscetíveis.
Crescimento sustentado ocorre quando o número reprodutivo efetivo ultrapassa 1.
Letalidade mede gravidade; incidência e transmissão dependem de suscetibilidade, contato e transmissibilidade.
Testagem e notificação mudam o quanto enxergamos a epidemia; não são, isoladamente, o mecanismo de geração de uma onda.
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Contexto
Uma nova onda epidêmica exige que a transmissão volte a crescer de forma sustentada. Para isso, um determinante central é a existência de proporção suficiente de indivíduos suscetíveis. Em um modelo simplificado de população homogênea, o número reprodutivo efetivo depende do potencial de transmissão do agente multiplicado pela fração suscetível. Quando o número reprodutivo efetivo fica acima de 1, cada caso gera, em média, mais de um caso novo e a incidência tende a crescer.
A suscetibilidade populacional não é fixa. Ela pode aumentar pela entrada de novos indivíduos suscetíveis, perda de imunidade, escape imunológico de variantes e redução da proteção vacinal ao longo do tempo. Além disso, comportamento, medidas de controle, sazonalidade e características da variante também modificam a transmissibilidade. A pergunta, porém, procura o fator listado que atua diretamente sobre a possibilidade de sustentar nova propagação, e esse fator é a fração suscetível.
Letalidade, quantidade de testes e subnotificação influenciam a interpretação e a vigilância da epidemia, mas não aumentam por si mesmas o número de pessoas biologicamente capazes de adquirir a infecção e manter a cadeia de transmissão.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Letalidade é a proporção de óbitos entre os casos e informa gravidade. Uma primeira onda mais letal não determina diretamente se a transmissão conseguirá voltar a crescer.
B) Correta (gabarito). Quanto maior a fração suscetível, maior a possibilidade de o agente encontrar novos hospedeiros e sustentar um número reprodutivo efetivo acima de 1, condição necessária para expansão epidêmica.
C) Incorreta. Testagem sorológica pode estimar exposição prévia e ajudar a conhecer a suscetibilidade da população, mas realizar testes não é a causa de uma nova onda.
D) Incorreta. Subnotificação reduz a capacidade de medir corretamente a epidemia e pode atrasar respostas de saúde pública, mas não é o determinante biológico direto da retomada da transmissão.