Uma médica de família atende muitos casos de dependência química na Unidade Básica de Saúde onde trabalha. Para se capacitar, passou a aplicar escalas de avaliação destes casos. Ao atender um paciente adulto, aplicou um instrumento da Organização Pan-americana da Saúde, cujos resultados foram dois pontos para maconha e 23 para álcool. Para o tratamento do paciente, está prevista a intervenção breve.
ASSIST álcool 11 a 26 = risco moderado = intervenção breve. Para outras drogas, risco moderado começa em 4.
APS não deve funcionar como triagem para encaminhar tudo; apoio matricial aumenta a resolutividade mantendo a equipe de referência responsável pelo cuidado.
NASF é nomenclatura histórica da questão. Desde 2023, o Ministério da Saúde utiliza eMulti, que mantém o apoio matricial entre suas atribuições.
Teste toxicológico não é condição para começar intervenção breve baseada em rastreamento clínico validado.
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Contexto
O instrumento descrito é o ASSIST, Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test, desenvolvido pela OMS para uso especialmente em atenção primária e outros serviços não especializados. Na pontuação específica por substância, álcool entre 11 e 26 pontos corresponde a risco moderado e indica intervenção breve; para cannabis, 0 a 3 pontos corresponde a baixo risco. Assim, álcool 23 e maconha 2 sustentam a proposta de intervenção breve para o uso de álcool sem necessidade automática de transferência do cuidado para um serviço especializado.
A intervenção breve cabe na APS e pode ser realizada pela própria equipe de referência. Quando a médica necessita suporte especializado, a lógica correta é o apoio matricial: discussão compartilhada do caso, construção conjunta do plano terapêutico e ampliação da capacidade resolutiva da equipe, preservando longitudinalidade e coordenação do cuidado.
Há uma atualização de nomenclatura importante em relação à época da questão. O antigo NASF deixou de ser a denominação vigente. A Portaria GM/MS nº 635 de 2023 instituiu as equipes multiprofissionais na APS, as eMulti, e inclui entre suas atribuições apoio matricial, discussão de casos, atendimento compartilhado e construção conjunta de projetos terapêuticos. Portanto, o conceito cobrado pela alternativa C permanece atual, mesmo com a mudança organizacional.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O escore de álcool está na faixa de risco moderado do ASSIST, para a qual se recomenda intervenção breve. Encaminhamento especializado automático é mais compatível com maior gravidade, necessidade de avaliação intensiva, dependência complexa ou situações que excedam a capacidade da APS.
B) Incorreta. A alternativa reproduz a lógica equivocada de encaminhar o paciente para que outra equipe assuma isoladamente o caso. Mesmo na época do NASF, sua função central era apoiar e compartilhar o cuidado com a equipe de Saúde da Família. Atualmente, a organização equivalente ocorre por eMulti, mantendo o princípio do trabalho matricial.
C) Correta (gabarito). O matriciamento permite que a médica conduza a intervenção breve na APS com suporte de profissionais de outras áreas, sem romper a responsabilidade da equipe de referência. É a alternativa que melhor preserva integralidade, longitudinalidade, coordenação e trabalho interprofissional.
D) Incorreta. Teste toxicológico não é requisito para confirmar o resultado de um instrumento validado de rastreamento nem para iniciar intervenção breve. O ASSIST orienta estratificação de risco e intervenção a partir da entrevista estruturada; exames complementares são indicados apenas quando houver questão clínica específica.