Menina, 1 ano e 7 meses de idade, previamente hígida, deu entrada no pronto atendimento pois há cerca de uma hora estava correndo quando colidiu contra a lateral da mesa de jantar. Apresentou choro intenso seguido de um episódio de vômito. Nega perda de consciência. Quando questionada sobre dor, a menor aponta para a testa e chora. Ao exame clínico, criança em bom estado geral, corada, hidratada, chorosa. FC: 110 bpm, PA: 96/50 mmHg, FR: 25 irpm. Movimenta os quatro membros normalmente. Região frontal conforme imagem abaixo.

Em menores de 2 anos, hematoma frontal é menos preocupante que hematoma occipital, parietal ou temporal no PECARN.
TC não é automática após um episódio isolado de vômito em criança de baixo risco.
Radiografia de crânio não serve para excluir hemorragia intracraniana.
Alta segura exige orientação aos cuidadores sobre piora neurológica, vômitos repetidos, convulsões e comportamento anormal.
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Contexto
A criança de 19 meses sofreu traumatismo cranioencefálico leve por mecanismo de baixa energia. Está em bom estado geral, sem perda de consciência, sem déficit neurológico e com hematoma de couro cabeludo frontal na imagem. Um episódio isolado de vômito, nesse contexto e sem outros fatores de risco, não torna obrigatória a tomografia.
A regra PECARN para menores de 2 anos identifica como fatores de maior preocupação alteração do estado mental, fratura de crânio palpável, hematoma de couro cabeludo não frontal, perda de consciência de pelo menos 5 segundos, mecanismo grave e comportamento anormal segundo os responsáveis. Quando esses critérios estão ausentes, o risco de lesão intracraniana clinicamente importante é muito baixo e a neuroimagem pode ser evitada.
A decisão de não realizar tomografia reduz exposição desnecessária à radiação ionizante e, nesta idade, também evita os riscos adicionais de sedação quando ela seria necessária para adquirir uma imagem adequada. Uma criança que retorna ao comportamento habitual, tolera observação clínica inicial e possui cuidadores capazes de reconhecer sinais de alarme pode receber alta com analgesia e instruções claras de retorno.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Tomografia não deve ser realizada rotineiramente em TCE leve pediátrico de muito baixo risco. Neste caso, a criança não apresenta os critérios que justificariam expô-la à radiação e à sedação apenas para obter neuroimagem.
B) Incorreta. Observação no serviço é uma estratégia válida quando há fatores intermediários, dúvida sobre evolução ou impossibilidade de acompanhamento seguro. Aqui, entretanto, o conjunto clínico é de baixo risco e não torna obrigatória permanência hospitalar por seis horas.
C) Correta (gabarito). Criança neurologicamente normal, com mecanismo leve, sem perda de consciência e com hematoma frontal isolado pode ser liberada com analgesia e orientação detalhada sobre sinais de alarme, desde que esteja clinicamente estável e haja supervisão adequada em casa.
D) Incorreta. Compressa fria pode aliviar edema local, mas radiografia simples de crânio não é exame de rastreamento para lesão intracraniana e não substitui tomografia quando esta realmente está indicada.