A enfermeira aciona o médico plantonista para avaliar a paciente JMB, gestante, de 23 anos de idade. A paciente tem diabetes tipo I e foi internada para ajuste do controle glicêmico. Ela é quartigesta, com 3 abortamentos anteriores. A idade gestacional é de 18 semanas. Chamou a enfermeira por estar com mal estar e sudorese fria. A glicemia capilar é de 38 mg/dL. Na avaliação clínica, a paciente está torporosa e não responde adequadamente aos questionamentos, PA 110x70 mmHg, FC 82.
Hipoglicemia + rebaixamento de consciência = nada por boca.
Com acesso venoso, prefira glicose IV; sem acesso, use glucagon.
15 g por via oral é regra para paciente consciente e capaz de deglutir.
O gabarito usa SG 5% 300 mL, mas a prática atual costuma empregar dextrose mais concentrada ou D10 em menor volume.
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Contexto
A glicemia capilar de 38 mg/dL associada a torpor caracteriza hipoglicemia grave com neuroglicopenia. Paciente com alteração do nível de consciência não deve receber alimento ou solução açucarada por via oral devido ao risco de broncoaspiração. Em ambiente hospitalar, com acesso vascular disponível, a correção deve ser feita com glicose intravenosa.
Os padrões atuais de diabetes classificam como hipoglicemia grave o episódio com alteração mental ou física que exige ajuda de outra pessoa. Na prática contemporânea, costuma-se administrar uma quantidade rápida de glicose por via intravenosa, frequentemente 10 a 25 g de dextrose, usando solução de concentração e volume adequados ao protocolo local, seguida de reavaliação da glicemia em cerca de 15 minutos e nova correção se necessário.
Há uma nuance importante no gabarito. Soro glicosado a 5% contém 5 g de glicose por 100 mL; portanto, 300 mL fornecem 15 g de glicose. A alternativa B é a única opção intravenosa e por isso deve ser mantida como correta. Contudo, em uma paciente torporosa, protocolos atuais costumam preferir dextrose mais concentrada ou solução a 10% em menor volume, porque produz correção mais rápida e evita infundir 300 mL para tratar um evento agudo.
Após recuperar a consciência, deve-se identificar a causa, rever dose de insulina, alimentação e horário do evento e oferecer carboidrato de absorção mais lenta quando apropriado para prevenir recorrência. Em gestantes com diabetes tipo 1, episódios graves também exigem reavaliação intensiva do esquema insulinoterápico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Lanche por via oral é inseguro porque a paciente está torporosa e não protege adequadamente a via aérea. Alimento é apropriado apenas após recuperação da consciência e deglutição segura.
B) Correta (gabarito). A via intravenosa é a escolha correta para hipoglicemia com alteração do nível de consciência. Os 300 mL de solução a 5% fornecem 15 g de glicose. Em protocolos atuais, costuma-se preferir solução mais concentrada para corrigir o quadro com menor volume e maior rapidez.
C) Incorreta. A regra de 15 g de carboidrato oral é indicada para hipoglicemia em paciente consciente, colaborativa e capaz de deglutir com segurança. Não deve ser aplicada a uma paciente torporosa.
D) Incorreta. Glucagon é excelente alternativa quando não há acesso venoso imediato, especialmente fora do hospital. Com acesso vascular disponível, glicose intravenosa produz correção mais direta e previsível.